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No raso se perde a profundidade dos fatos


Temer sobreviverá. Ele vai chegar ao final de seu mandato. Ele conhece a lógica do poder. Nós, os eleitores, fazemos parte dela, mas somos marionetes, não temos o comando da lógica que sustenta os desmandos e corrupção. É preciso mudar isso. 
Michel Temer deve conseguir manter-se no poder até o final do mandato. Pelo menos, se depender da votação que deve ocorrer na Câmara de Deputados esta semana. O presidente fez um longo e árduo trabalho de sedução, cobrança e compra de votos a seu favor. Deputados molharam as mãos de recursos, e sabe-se mais lá o que, para favorecem o presidente.
A denúncia do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, não deve avançar. Bom lembrar que Janot sai do cargo ainda este ano. As coisas estão melhorando para o presidente que conta com o maior índice de impopularidade da história do país. Para a maioria dos brasileiros, que não gostam dele, piora.
Atrelar o ambiente político ao econômico tem sido o discurso que favorece os defensores do presidente corrupto. Ele seria necessário. Ruim com ele, pior sem ele é a defesa de grande parte dos deputados aliciados ou tradicionais aliados.
Há um lógica que sustenta a perversidade do poder. Nós temos que entender o papel que desempenhamos nela.
O que incomoda, nesta lógica, é a possibilidade dela vingar e demonstrar, o que não seria surpresa, que a maioria dos brasileiros está preocupada apenas com sua vida imediata. Ter benefícios econômicos e melhorar o poder de consumo diante da crise. O futuro importa pouco. Consolidar a democracia e a legalidade é prática secundária. A retórica da cidadania se torna apenas aparência sem ato. Um valor embalado em papel de presente e conteúdo vazio.
Ao conseguir chegar ao final do mandato, Temer estará legitimando a manutenção da velha lógica do poder e seus sócios. Da representação manipulada por migalhas, remediações e não por soluções. Deputados contribuem para repasses de precariedades em suas regiões. Mantém a miséria. Garante apoio ao governo e teremos no futuro o que temos hoje, promessas sem soluções.
A lição está dada. O que estamos vendo é uma lógica permanente da sobrevivência do perverso homem público e da pobre lógica do eleitor. O imediatismo dos eleitores legitima as migalhas que mantém o poder sobre miserável.
Por isso, não se acaba com a miséria, ela sustenta o poder. Ironia, oito em cada dez eleitores querem que Temer seja julgado pela acusações PGR. Mas a maioria dos deputados, que representam estes eleitores, prefere desconsiderar as estatísticas e apostar no imediatismo do eleitor. Com um pouco de migalhas ele muda ou esquece a opinião.

Gilson Aguiar comenta a permanência lógica do poder.


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