Nosso maior erro


A mania de comparar o Brasil com outros países é irritante. Esconde e nos desobriga de olhar para nossos hábitos questionando suas origens. Aprender o que nos fez, de onde viemos e o berço de nossos vícios, não nos dá o peso de nossa singularidade incomparável. 
Os brasileiros têm maus hábitos. Sim, mas quase todos os povos têm. As comparações do que nós somos com outros países é algo que me incomoda. Temos sempre o padrão alheio como medida de nossos méritos de desmerecimentos. O jardim do vizinho é sempre mais bonito.
Somos o que somos, não se compara a originalidade com ninguém. Deve-se entender. (Para ouvir mais clique aqui).
Quando era pequeno via meus pais comparem os filhos com os rebentos alheios. Nunca fomos vistos e revistos, analisados, elogiados ou condenados por atos que dizem respeito a nós e nossas origens. Se esquece que o que faz o hábito é o ambiente. Sempre se condena a atitude e não se pensa na origem. Nosso mau comportamento tem berço. Inclusive pai e mãe.
Se temos que melhorar, e temos, isso só virá com a capacidade de perceber o que alimenta nossas pioras. Por vezes, quem mais reclama é um beneficiado. Se a educação é ruim, o mal-educado e “reclamão” foi longe, passando nas séries escolares. Alguns tem até diploma, por causa de deficiência educacional.
Somos ignorantes, uma pesquisa feita por um instituto britânico, Perigos da Percepção, mostra que a maioria dos brasileiros não sabem responder dados básicos sobre o país. Faixa de idade da população, brasileiros que tem acesso a internet, índice da população rural e urbana.
Mas há em nossa formação a desinformação. Os ambientes que frequentamos trazem pouco conteúdo qualitativo. Isto é uma verdade. Falta formação com sentido na vida de cada um de nós. Já escutei tantas vezes alunos dizerem que não tem o porquê estudar certos conteúdos, não servem para nada. Quando os ignorantes se multiplicam passam perceber o erro como virtude comum.
Lemos pouco, conhecemos pouco, ignoramos muito nossas origens e o que nos cerca. Se mudarmos esta realidade, não precisaremos ter outros povos como modelos. O bom comportamento alheio não será referência. Nossa consciência determinará nosso destino.

Gilson Aguiar comenta sobre o erro de comparações e a ausência de consciência.


Comentários

  1. Olá professor Gilson. Eu não vejo problema em comparar o que há de ruim no Brasil com o que há de bom em outros países. Entendo isso como um benchmark. O que eu quero pra mim? Vejamos o que há de melhor no mundo. Uma vez encontrado, como fazemos pra chegar lá? O fato é que, para saber que estamos ruins em determinado aspecto, é preciso conhecer como é o bom.
    Também não concordo que o aluno tenha se beneficiado de uma educação ruim. Pelo contrário. Ele está reclamando da educação que teve no passado justamente porque está tendo dificuldades no presente. Talvez a caminhada até o ponto atual tenha sido mais leve, mas isso não significa que ele não teria conseguido cumprir o trajeto se a cobrança fosse mais forte. O que ele queria era justamente ter tido mais pedras no passado para saber contornar as que está encontrando no presente.
    Quando entrei na faculdade de engenharia, eu tinha passado por um ensino médio muito tranquilo. Ao chegar lá tive muita dificuldade com as matérias de cálculo. Alguns colegas tinham tido fundamentos de cálculo no ensino médio, o que fez a transição deles para o curso superior muito mais fácil.

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