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Política de “tapete de ovos”


Vivemos a política da incerteza. Um ano antes das eleições, nenhum pré-candidato ousa assumir alianças, falar abertamente sobre sua candidatura. Osmar Dias é um exemplo. Prestigiou o irmão Álvaro, o seu novo partido, o Podemos, mas não se filiou.
Estamos vivendo um momento político estranho, diria que inédito. Um ambiente forrado por um “tapete de ovos”. Quem pisar mais fundo pode se dar mal e quebrar suas bases de sustentação, se é que há alguma neste ambiente de incertezas.
A Operação Lava-Jato, as denúncias de governos envolvidos em atos ilícitos, as acusações sobre o presidente Michel Temer, tudo conspira a favor do medo. Todos os que antes já estaria se lançando como pré-candidatos e apresentando alianças agora se calam. Ninguém quer se comprometer.
Um dos exemplos da insegurança em pleno ano pré-eleições é a disputa pelo Governo do Paraná. Osmar Dias, um dos pré-candidatos, esteve em Curitiba para o lançamento do partido do Irmão, Álvaro Dias, o Podemos. Há a expectativa do ingresso de Osmar na sigla fundada pelo irmão. No PDT, o ex-senador não pretende, pelo menos por enquanto, trocar de partido. Apoia o irmão, mas em entrevista diz que ainda é cedo para tudo. Até mesmo na hora de dizer se é candidato ou não, diz que quer ouvir os paranaenses. Mas as eleições é que dão a certeza.
Quando Osmar foi perguntado sobre Beto Richa, com quem concorreu na disputa do Estado e ensaiou uma aliança, agora se afasta do tucano. Não critica, mas diz que o candidato do governador paranaense é outro. Já o outro, ninguém consegue afirmar. Seria Cida Borghetti, atual vice-governadora, o que seria natural? A quem lembre de Ratinho Júnior, mas ninguém tem certeza.
Richa já foi aliado desejado de muitos que almejavam o cargo de governador do Paraná. Agora, neste ambiente de acusações e acusados, ninguém se arrisca a abraçar ninguém, nem buscar alianças com a incerteza. No final, ninguém sabe quem estará livre de manchas, respingos ou enterrado no mau cheiro. Pior do que buscar um homem honesto para poder votar é perceber que entre os querem se candidatar há sempre o temor de ser o próximo suspeito.


Gilson Aguiar comenta a incerteza política no país.

Comentários

  1. Está tenso. Mesmo não sendo um especialista em política, mas acredito que esse momento poderá ser um divisor de águas em nossa história. É claro, nesse cenário caótico, onde a maior crise que vivemos é de caráter, de identidade, que precisamos de reformas profundas. Essa "lei de Gérson" que abrange todas as camadas de nossa sociedade, precisa ser abolida, caso contrário, o país irá ruir. Repensemos os nossos valores, que exercemos a nossa

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  2. a nossa cidadânia plena, que implica em direitos e deveres. Cobremos sim, mas nos corrijamos também, pois o reflexo da política que nos deixam tão estarrecidos é do que acontece todos os dias no cotidiano das pessoas em sua negociações.

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