Pular para o conteúdo principal

Sonegação e sonegadores


Na relação viciada entre o Estado excessivo, tributarista, e a sonegação do cidadão, ninguém sabe quem educou quem ao mau comportamento. A história denuncia os vícios. A tradição de sonegar fez herdeiros e heranças. 
Estamos diante de uma crise. Nenhuma novidade. Mas o que podemos tirar como parâmetro para medi-la é o endividamento de empresários com a Receita Federal. Empresas de grande, médio, pequeno e micro porte, mesmo os Microempreendedores Individuais (MEIs) estão com tributos atrasados. Em média, 50% tem algum endividamento com o poder público em atraso.
O governo lançou refinanciamento de dívidas para as empresas. Algumas podem fazer o parcelamento de débitos em atraso em até 120 meses. Enquanto a União busca arrecadação, as empresas buscam sobrevivência. Uma coisa está ligada diretamente com a outra.
A crise política que estamos atravessando não melhora a situação, piora. Saber que representantes públicos estão envolvidos em crime de corrupção desestimula muitos empresários a levarem a sério a tributação.
Não adianta aqui os moralistas tributários de plantão fazerem a argumentação de que uma coisa são as obrigações dos empresários e a outra é o mal-uso do dinheiro público. Se os representantes públicos não respeitam o cidadão, se o Estado se coloca como um obstáculo na vida das pessoas, já que políticos vendem favorecimento e não agem em busca de solução, sonegar faz escola.
Desde nossas origens coloniais, quando o Estado português passou a intervir na extração de ouro e diamante em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, no Século XVIII, a sonegação se fez presente. O autoritarismo do estado lusitano se traduziu em medidas de tributação pesadas, ações de controle e punição sobre a região mineradora.
Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui.
Controle de preços, monopólio de comércio eram práticas comuns na história da colonização e se mantiveram, mesmo depois da independência. Sonegar na região de mineração virou uma constante, já que o estado lusitano vivia mais de tributação do que inovação e incentivo econômico. Cobrar e não colaborar é a prática pública.
Funcionários da coroa portuguesa no Brasil vendiam favores, ajudavam os amigos mais próximos, principalmente aqueles que dividiam lucros, davam mesadas, contribuíam para enriquecer o representante da coroa.
O ambiente está posto. Os empresários vivem a crise e não pagam impostos diante da dificuldade econômica que lhes corrói o lucro e ameaça a sobrevivência do empreendimento. Há quem viva nesta condição. Há também, aqueles que levam em consideração sonegar na hora de estabelecer sua empresa. O primeiro desanima por não ver nos dirigentes públicos o exemplo da boa gestão, já o segundo se associa a lógica da corrupção política para agir inspirado no mal exemplo.
Realmente a crise política não ajuda em nada, só mostra mais do mesmo.

Gilson Aguiar comenta a sonegação no Brasil.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Paraná não é Maringá

Alimento pela cidade que eu nasci um imenso carinho. Maringá é uma cidade que se fez e se faz. Há realmente um espírito associativo. Ele é ligado ao meio privado, empresarial. Isto é fato. Mas tem um estímulo de organização e representação eficiente. O que faz de Maringá uma cidade diferente. E ela é. Em diversos índices a cidade está entre as melhores do país. Potencial de consumo, o qual é retratado pelo Anuário a Grande Região de Maringá, divulgado a cada dois anos pelo Grupo Maringá de Comunicação. Ele comprova isso. Os dados são levantados pelo IPC Maps. Lembrando que o Produto Interno Bruto da cidade cresce mesmo quando o país não.
O Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá, o Codem, tem investido no planejamento em longo prazo. Agora, o Masterplan aponta para um crescimento até 2047, quando a cidade irá fazer 100 anos. Até agora, o planejamento teve um investimento de R$ 1,5 milhão. E vale a pena. Há muito mais por vir. E ele não tem custo para o poder municipal. O qua…

STF pode fazer justiça e ser inconstitucional

Não se pode ser ingênuo. O país vive uma legislação apartada da população. Para quem a lei vale? Não para todos. E se vale, as brechas na lei somente para alguns. A defesa dos réus permite a liberdade de quem pode recorrer. O julgamento do ex-presidente Lula não é um caso isolado, tem que ser entendido na histórica desigualdade de tratamento pelo poder em relação ao cidadão. A Constituição Federal, humana, permite desumanidades. No país teve inúmeras manifestações contra o ex-presidente Lula, na defesa da prisão em segunda instância e em defesa da Lava-Jato. O país clama por justiça. Mas o que é justo? Quando se pensa na corrupção dos homens públicos e os que deveriam ser presos a injustiça é maior. Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui. O dinheiro desviado por corrupção tira dos cofres públicos recursos vitais para salvar da miséria e da marginalidade muitos. Destes, os que acabam se transformando em bandidos e são presos sem dinheiro para recorrer a todas as instâncias. Q…

Conservadorismo não é nazismo

Vivo em defesa do bom liberalismo e dos bons conservadores. Me incomoda profundamente um país que confunde conservadores com extremismo e neonazismo. Esta defesa do extermínio, da perda de liberdade, da violência que combate a violência. Nada disso tem relação com a conservação das instituições, das leis e da liberdade. Há uma confusão entre a preservação das instituições e o radicalismo que prega o extermínio da oposição ou de tudo o que se opõe. Na limitação de compreender a dinâmica do poder e que fundamenta nossas mazelas, há os radicais que consideram a destruição a melhor saída. Não é! A ousadia é mudar dentro do que se tem de mais precioso, a democracia.
Incrível perceber que radicais desejam o retorno da ditadura. Ao mesmo tempo há os que defendam a eliminação dos políticos de esquerda e, outros, até da própria esquerda. A implantação de um governo autoritário é típica da pobreza submissa do latino-americano. Faz parte das raízes de um continente governado por caudilhos, noss…