Veículos e vícios urbanos


Em grandes cidades o número de veículos aumentam. Não há mais espaço para tantos automóveis. Eles ocupam um território que poderia ser utilizado com mais racionalidade pelo transporte coletivo. Mas há a idolatria do veículo particular. É preciso agir.
O uso do transporte coletivo é exaltado constantemente como solução para desafogar o trânsito nas grandes cidades do país. Reduzir o numero de veículos, carros e motocicletas, passa por um transporte coletivo eficiente. Mas como transformar a retórica em fato.
Um dado preocupante neste primeiro semestre do ano, o crescimento da frota de veículos em algumas das grandes cidades do Paraná, Maringá e Londrina. Em Curitiba, a frota diminui. Mas crescendo ou diminuindo, nada que ultrapasse 1%, para mais ou para menos. A frota que cresce já não tem mais onde ser colocada. Por uma lei simples da física, dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Imagine aos milhares.
Em Maringá, por exemplo, enquanto a cidade tem 403 mil habitantes, o número de veículos é de 309 mil. Em Ponta Grossa, por exemplo, o número de habitantes é de 341 mil e o de veículos é de 194,7 mil. Retirar parte considerável destes veículos das ruas requer ações de grande porte. Obras de mobilidade urbana que mudem a tendência do modal privilegiado. Facilitar para os ônibus e dificultar para os automóveis.
Uma rede de transporte urbano eficiente e segura deve ocorrer na mesma proporção que se oferta mais linhas de transporte coletivo. Usar o transporte coletivo tem que ter um custo menor que um automóvel ou motocicleta. A agilidade no deslocamento tem que ser melhor também. Se facilitarmos a circulação de ônibus e não colocá-los dividindo espaço com automóveis e motocicletas, o custo reduz e também os riscos de acidentes.
Cartões para a compra de passes devem ser oferecidos em todas as esquinas. Todos os estabelecimentos comerciais, caixas eletrônicos pode ser pensados para a venda do passe.
De outro lado, taxis devem ser menos tributados e o Uber, assim como outros aplicativos de transporte individual, liberado. Propagar alternativas de deslocamento que não sejam os veículos particulares.
É possível.
Mas, ainda vamos esbarrar no obstáculo mais difícil de ser vencido, o culto ao automóvel e a motocicleta. O desejo de ter o próprio meio de transporte. A particularização do deslocamento incorporado pelo falso discurso de liberdade.
Outro obstáculo ao transporte coletivo é a prática associada aos meios de transportes particulares, o segregacionismo urbano. Não dividir espaço com classes de diferente renda e estética. O discurso do progresso está associado ao automóvel e não ao ônibus.
Na mobilidade, assim como na maioria dos ambientes urbanos, se expressa nossas contradições, hábitos e dilemas. A questão é complexa, mas precisa ser enfrentada. Mesmo que tenha desafios considerados, aparentemente, insuperáveis, mas devemos apostar no futuro, com ações no presente. Temos que começar agora.
Gilson Aguiar comenta os problemas da mobilidade urbana.

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