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A razão e a expansão


Se diz hoje que vivemos a "Era do Conhecimento". Sempre a vivemos. Somos enquanto civilização o resultado da apropriação do saber e o desenvolvimento do poder de dominação. A conquista e integração do Planeta não se deu de outra forma.
Todo o saber acumulado por uma civilização deve ser transmitido as próximas gerações. Esta é a condição fundamental para se continuar existindo. Nenhuma civilização se manteve sem ter um saber permanente. Com a Civilização Ocidental não é diferente. Mais que isso, é uma condição vital o aprimoramento constante.
Se no início das grandes descobertas as primeiras nações europeias a se lançarem a aventura planetária, como afirma Edgar Morin[1], eram insignificantes no contexto mundial, o resultado desta aventura não seria. Nela se iniciou a integração do comércio, a movimentação de pessoas e o início do que hoje chamamos de globalização.
A ciência tem papel vital nesta integração mundial. Ela foi o resultado dos encontros e dos aprimoramentos que as grandes navegações iniciaram. Sendo o próprio conhecimento para as naus europeias percorrerem o mundo o resultado também do conhecimento.
A ser humano ocidental ao se encontrar com as mais diferentes civilizações soube se apoderar do saber que elas detinham sobre a natureza e usá-los em seu benefício. O conhecimento é elemento vital para a dominação. Seja da natureza ou de outra civilização.
Muitas das civilizações tinham um conhecimento mais aprimorado e desenvolvido, porém, não sistematizado e direcionado como o ocidente estruturou. E neste sentido, o capitalismo lhe deu uma função vital, gerar riqueza, promover a acumulação.  
Esta utilização do conhecimento como o desenvolvimento de meios técnicos para se apoderar da natureza na busca da riqueza nos diferencia da contemplação que tantos povos fizeram sobre seus ambientes. A inércia não é uma opção para a relação do ocidente com a natureza.
Eu sua obra, “O Espírito Ocidental Contra a Natureza”, Frederick Turner fala da trajetória do ser humano sobre a face da terra e a da Civilização Ocidental como predadora. Se a contemplação ou a busca do equilíbrio com o meio foi para muitos povos o limite da sobrevivência, para nós, dominar o meio e fazer dele um elemento a reproduzir nossos interesses se torna fundamental.
Hoje, mais do que em qualquer momento da história, geramos uma natureza geneticamente modificada. Nos alimentamos do que construímos nos laboratórios. Na máxima econômica, a natureza não seria capaz de nos dar tudo o que precisamos para alimentar bilhões de pessoas sobre a face da terra. Umas poucas mais bem alimentadas do que outras, em regra, a grande maioria.


[1] Edgar Morin e Anne-Brigitte Kern são autores do livro “Terra Pátria”. Uma visão sobre a condição integrada que o Planeta vive em relação a todos os acontecimentos. Nos dois primeiros capítulos da obra há uma recuperação dos fatos que determinaram a história mundial até nossos dias. Somos o resultado da “aventura planetária” iniciada pelas nações ibéricas. O que Morin chama de o “início da Era Planetária”.

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