Pular para o conteúdo principal

Como Chegamos Aqui


A jornada da Civilização Ocidental tem suas peculiaridades. Ela é feita com a ousadia de se impor sobre o inimigo, muitas vezes mais forte, mas não sem a ambição e o desejo de se propagar como o ser ocidental.Cruel e intolerante, muitas vezes.
Há uma longa jornada para se fazer uma civilização. Muitas se foram se serem conhecidas ou estudadas de forma mais profunda. A Civilização Ocidental poderia ter desaparecido e jamais ter construído o papel determinante na história humana que constituiu. O Ocidente reinventou o Planeta.
Em sua base de formação estão as heranças da civilização romana e germânica. A Idade Média que por muito tempo foi vista com a “idade das trevas” foi de fato o berço da Civilização Ocidental. Hilário Franco Junior já tinha apontado nesta direção[1].
Um dos elementos importantes das unificações dos elementos culturais que geraram a Civilização Ocidental foi o cristianismo. Sempre lembrando que a sua formação hoje, independentemente de suas inúmeras correntes interpretativas sobre as Sagradas Escrutas. Ou seja, o tempo e sua diversidade tem menos divergência que o cristianismo em sua formação.
Não se pode negar a construção de uma civilização pela gestação dolorosa e, em especial, a dor do parto. A formação de nossa cultura cristã, vital para a expansão, foi um parto difícil. Unir os cristãos em torno de um mesmo princípio religioso e sua autoridade teve requintes. Unificações de povos, guerras de extermínio, conflitos pela procuração divina, incorporações de símbolos e gestos típicos dos “pagãos” que se tornaram cristãos. O cristianismo é um “sincretismo”.
Nosso “Jesus Cristo” é loiro e de olhos azuis. Claro que qualquer confronto com o perfil do homem palestino em sua descrição científica e de dados precisos de sua época colocariam minha afirmação abaixo. Porém, não é da verdade científica que falo, mas da verdade simbólica do elemento religioso. O cristianismo que ganhou o mundo é forjado na Europa ocidental, “à sua imagem e semelhança”.
Este cristianismo se lança nas cruzadas contra os muçulmanos na busca de impedir o desaparecimento da civilização ocidental. A agonia de se ver cercado pelos muçulmanos. Ironicamente, irmãos de construção religiosa. Tanto nós como eles somos frutos da religião hebraica. No caso do islã, o profeta Maomé louva Cristo e o considera, também, um profeta. Que ironia, em nossos dias esta afirmação deveria nos unir. Infelizmente nos separa em muitos casos, de forma extrema.
O sentido cruzadista, o que nos interessa neste texto, tem sua construção na Idade Média. A luta contra o infiel, aquele que louva outro Deus. Não era bem o caso dos muçulmanos, mas enfim, nada do que não reflita nossa imagem no espelho nos serve como verdade.
A intolerância cristã sempre foi uma arma vital para a conquista. Foi com ela que o sentimento de navegar, de conquistar e colonizar encontrou refúgio. O discurso cristão da conquista foi o descanso diante da incerteza e se estabeleceu como uma “verdade” a ser buscada e mantida, custe o que custar. E, ao final, custaram muitas vidas.
Mas se desenvolveu uma capacidade de racionalização da ação conquistadora. A ciência e a tecnologia no é um grande instrumento. Porém, isto é outra história.


[1] Para entender melhor a formação ocidental, o historiador Hilário Franco Júnior é uma das melhores abordagens. Sua obra “Idade Média: O Nascimento do Ocidente” é um clássico para se entender nossas origens de gestos, hábitos, símbolos e sentidos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Formação do Estado Nacional Moderno

A formação do Estado Nacional Moderno é um dos momentos mais importantes da consolidação da sociedade e da economia contemporânea. As organizações do poder nos territórios nacionais estabilizaram as relações econômicas e garantiram o estabelecimento da sociedade com a representação do poder no poder estabelecido no território nacional. Max Weber em especial tinha interesse significativo na formação do Estado Nação. A Alemanha, sua terra natal e na qual ele acompanhou a unificação dos estados germânicos, foi seu objeto de estudo e estímulo para a compreensão da política, da lógica econômica e a sociedade em relação ao poder. Uma das primeiras questões tratadas por Weber foi a questão da liderança. O que ela significa e como pode ser compreendida no exercício do poder no Estado Nacional. Por isso, ele considera que ela deve ser entendida na construção das relações sociais. Há uma herança no poder, fruto das condições que o construíram e como ele se consolida diante da sociedade sua au…

Um pouco de teoria do Estado, Política e Economia

Saber fazer política é conhecer suas teses. Para a crítica ou defesa da ação do Estado, avaliar aqueles que ocupam os cargos públicos, os representativos em especial, é fundamental. Estamos vivendo um ambiente político crítico. O presidente da república é impopular. Menos de 5% da população consideram seu governo “ótimo”. Menos de 7% o aprovam como governante. Mas ele se mantém. Seria possível fazer da lógica de Nicolau Maquiavel um instrumento para entender a permanência de Michel Temer no poder? Acredito que sim. A primeira coisa a entender é que não está na popularidade ou não do presidente a sua sustentação. Outras forças conspiram a favor do governante. E uma das mais importantes são seus acordos políticos com o Parlamento, em especial o Congresso Nacional. O esforço do governante e ver aprovada suas medidas e evitar seu julgamento pela Câmara dos Deputados foram bem-sucedidas.  Os acordos políticos, repasses de verbas, nomeações de cargos e, possíveis ações encobertas, mantiver…

O poder no Brasil

Por que não aprendemos a lição? Quando se fala de política a razão é simples, nós estamos atentos aos personagens e ao momento. Temos que ficar mais atentos a lógica do poder. Há uma relação constituída de forma tradicional que garante a tendência do poder para determinados fins e grupos.

Assistindo as denúncias que tomam conta dos meios de comunicação sobre políticos envolvidos em corrupção, mas principalmente com “caixa 2”, temos a oportunidade de aprender a lógica da sustentação do poder. Mas será que conseguimos perceber diante da oportunidade?
No Brasil, a constituição do Estado se estabelece na própria formação do território colonial. Lá, nos primórdios do estabelecimento da estrutura colonizadora se dava os primeiros passos para alicerçar o poder. Isto se deve, em grande parte, pela forma como nossa “emancipação” se estabeleceu. D. Pedro I era filho do D. João VI. O primeiro imperador do Brasil foi ser rei em Portugal.
Na independência monárquica que o país viveu se estabelece…