Pular para o conteúdo principal

Desconfiados não merecem confiança


Via de regra, os que desconfiam demasiadamente são os traidores. Aqueles que desejam ter garantias demasias das relações que estabelecem sabem que, como ele, o outro pode trair. Contudo, pesquisa mostra que brasileiros estão confiando mais. 
Os brasileiros estão confiando mais nas pessoas. Menos nos familiares. Segundo levantamento do IBOPE, em uma pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da indústria (CNI), comparando dados de 2012 com 2017, os brasileiros confiam mais em vizinhos, amigos, colegas de trabalho e pessoas de uma forma geral.
Nos dados, a confiança em familiares é de 91%. Porém, quando a pergunta é ter “muita” confiança, houve uma queda nos últimos cinco anos, de 73% para 55%. Parece que o golpe mais duro e decepcionante vem, quase sempre, de dentro do meio familiar.
Porém, a confiança cresce nas pessoas de uma forma geral e em alguns casos, segundo dados da pesquisa, há uma melhora no ambiente social. Reduz-se burocracias e se investe mais sem temer as relações. Viver em uma sociedade onde se confia há mais possibilidade de realizações de projetos e interesses. O medo se instala na desconfiança e muito da violência é agressão preventiva. Agredir antes de ser agredido.
Brasileiros estão confiando mais, mas não tanto nos membros da família. Ouça o comentário clicando aqui.
No ambiente de trabalho a confiança também cresceu de 44% para 67%. Isto é bom. A produtividade tende a crescer quando confiamos mais. Interagimos, trocamos informações e convivemos em um ambiente mais agradável. Trabalho é, em grande parte, estar bem onde se trabalha.
Um dos dados interessantes desta pesquisa é que a maioria dos brasileiros acredita que o interesse de tirar vantagem nas relações pessoais predomina na maioria das pessoas, 91%. Possivelmente o ambiente de denúncias de corrupção tenha colaborado para isso.
Acredito que estamos em uma sociedade onde os interesses pessoais se elevam diante das necessidades sociais. Somos bombardeados pela lógica da particularidade. O outro é sempre considerado na dimensão de que ele realize ou não os nossos interesses. A falta de ética tem uma relação direta com a confiança. E hoje, a ética está em baixa.
Ser feliz é confiar nas pessoas na proporção que se confia em si mesmo em relação aos outros. Sou confiável? Se você fosse o outro confiaria em você mesmo? A resposta a estas perguntas é que dá a cada um a dimensão de sua confiança, denuncia também, o porquê tememos os interesses alheios. Possivelmente porque também temos os nossos.
Diante disso, entendemos a importância de confiar.

Confiança é uma relação ética.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Paraná não é Maringá

Alimento pela cidade que eu nasci um imenso carinho. Maringá é uma cidade que se fez e se faz. Há realmente um espírito associativo. Ele é ligado ao meio privado, empresarial. Isto é fato. Mas tem um estímulo de organização e representação eficiente. O que faz de Maringá uma cidade diferente. E ela é. Em diversos índices a cidade está entre as melhores do país. Potencial de consumo, o qual é retratado pelo Anuário a Grande Região de Maringá, divulgado a cada dois anos pelo Grupo Maringá de Comunicação. Ele comprova isso. Os dados são levantados pelo IPC Maps. Lembrando que o Produto Interno Bruto da cidade cresce mesmo quando o país não.
O Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá, o Codem, tem investido no planejamento em longo prazo. Agora, o Masterplan aponta para um crescimento até 2047, quando a cidade irá fazer 100 anos. Até agora, o planejamento teve um investimento de R$ 1,5 milhão. E vale a pena. Há muito mais por vir. E ele não tem custo para o poder municipal. O qua…

STF pode fazer justiça e ser inconstitucional

Não se pode ser ingênuo. O país vive uma legislação apartada da população. Para quem a lei vale? Não para todos. E se vale, as brechas na lei somente para alguns. A defesa dos réus permite a liberdade de quem pode recorrer. O julgamento do ex-presidente Lula não é um caso isolado, tem que ser entendido na histórica desigualdade de tratamento pelo poder em relação ao cidadão. A Constituição Federal, humana, permite desumanidades. No país teve inúmeras manifestações contra o ex-presidente Lula, na defesa da prisão em segunda instância e em defesa da Lava-Jato. O país clama por justiça. Mas o que é justo? Quando se pensa na corrupção dos homens públicos e os que deveriam ser presos a injustiça é maior. Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui. O dinheiro desviado por corrupção tira dos cofres públicos recursos vitais para salvar da miséria e da marginalidade muitos. Destes, os que acabam se transformando em bandidos e são presos sem dinheiro para recorrer a todas as instâncias. Q…

Conservadorismo não é nazismo

Vivo em defesa do bom liberalismo e dos bons conservadores. Me incomoda profundamente um país que confunde conservadores com extremismo e neonazismo. Esta defesa do extermínio, da perda de liberdade, da violência que combate a violência. Nada disso tem relação com a conservação das instituições, das leis e da liberdade. Há uma confusão entre a preservação das instituições e o radicalismo que prega o extermínio da oposição ou de tudo o que se opõe. Na limitação de compreender a dinâmica do poder e que fundamenta nossas mazelas, há os radicais que consideram a destruição a melhor saída. Não é! A ousadia é mudar dentro do que se tem de mais precioso, a democracia.
Incrível perceber que radicais desejam o retorno da ditadura. Ao mesmo tempo há os que defendam a eliminação dos políticos de esquerda e, outros, até da própria esquerda. A implantação de um governo autoritário é típica da pobreza submissa do latino-americano. Faz parte das raízes de um continente governado por caudilhos, noss…