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“Distritão” legitima a prática e rompe com as ideias

Se discute a reforma política, mas não há discussão sobre a histórica relação personalista entre o eleitor e o candidato. Mudar os critérios de escolha é mais importante do que as regras eleitorais. 
A reforma política que está sendo discutida no Congresso é um fiasco. Isto não há dúvida. O que se discute agora com o chamado “distritão” é o mais do mesmo. Se a proposta for aprovado na Câmara de Deputados e no Senado, os parlamentares, deputados e vereadores, serão eleitos de forma majoritária.
Acaba assim a força das coligações, da legenda. Enterra-se o parido político como critério de escolha. A mediada põe fim, também, aos puxadores de voto. Cai a ideia de colocar um candidato carismático, artista, jogador de futebol, enfim, um personagem famoso que garante a eleição de desconhecidos.
Quando se olha as mudanças se vê coisas boas e ruins. Sempre se criticou os personagens que se candidatavam e simbolizavam a caricatura eleitoral. O sarro, o voto de protesto, que era despejado em um candidato estapafúrdio é condenável. Por outro lado, se lamenta a valorização do personalismo em detrimento do partido. A ideologia partidária não é mais critério de escolha na proposta do “distritão”.
Distritão é mais do mesmo. O eleitor tem que mudar critério de escolha para fazer a diferença.
Mas a morte da ideologia e dos partidos é história de um “velho defunto”. A mudança das regras não tira de cena o mau permanente. O personalismo sempre foi o elemento que define a escolha dos parlamentares. As coligações, a proporcionalidade e o quociente eleitoral valorizavam o partido, mas não a ideologia. A sigla sempre foi trampolim e nunca o um fim. Não se ingressa no partido pelas ideias e sim pela possibilidade de ser eleito. Se assim não fosse, o PMDB não seria o partido que é.
Historicamente os partidos se personalizam ou se prostituem. Ou vivem em torno de um líder que lhe dá sentido o mantém vivo, Vargas e o antigo PTB e Lula e o PT são bons exemplos. O PMDB é o exemplo da prostituição partidária, todos tem espaço em um partido que não tem definição. Há quem chame isso de democracia, eu considero uma pobreza política.
Logo, o distritão valoriza os mais conhecidos e quem tem maior chance de voto, a manutenção dos que já estão em cargos públicos.
O eleitor é o principal problema para uma reforma na política. Sua ignorância ideológica, sua dificuldade de discernimento, seu imediatismo e a pouca relação com o poder representativo, o faz ser o principal problema para se promover uma verdadeira mudança através das eleições. É o cidadão apaixonado por pessoas e não por ideias. Isto mata a consciência.
Logo, criticar o distritão é válido, como as regras atuais também merecem críticas. Porque o principal problema está nos critérios de escolha do eleitor e não nas regras para as escolhas serem feitas.
Distritão ou não, o eleitor é o mesmo.

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