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“O Mundo virou mercadoria”


Uma vida tem preço? Em nosso conceito moral, não. Mas a mercantilização da vida é uma verdade. Ela tem um preço monetário. Foi por esta condição que se implantou a sociedade capitalista. E no mundo do mercado, conhecer o valor das coisas, principalmente seu preço, permite a concentração de capital. O desenvolvimento científico e tecnológico a serviço de conhecer o ser humano é um bom, ou mau, exemplo.
O capitalismo foi estruturado na relação direta entre o mercado e a produção da mercadoria. Claro que a multiplicação dos lucros é seu motor. Riqueza que gera riqueza é o elemento fundamental da concentração. Não se pode pensar a riqueza sem entender o quanto ela se reproduziu ao longo da história. Para que algo vire riqueza deve ser fator da vida e poder ser cambiável na relação capitalista.
Uma mala com dinheiro em espécie na quantia de um milhão de dólares é um bom dinheiro, uma fortuna. Mas se pela ironia do destino você à tiver em uma ilha deserta, no máximo pode ajudar a fazer uma fogueira ou servir de papel higiênico. Neste caso é bom arrumar um barco, que terá que fazer com seu esforço, para sair de lá. Com a maleta de um milhão, é claro.
O capital foi capaz de quantificar monetariamente a vida. A existência de cada ser humano tem um valor na troca. A vida pode ser recompensada ou não pelo potencial de consumo que tem. Por isso, há vidas que valem mais do que a outra. Lembre-se monetariamente e não moralmente.
Por isso, em nosso outro texto, quando falei da ciência e da tecnologia, o capitalismo potencializa o conhecimento na proporção em que ele permite a acumulação de riqueza. O saber é determinante para a existência da vida, mas também para conhece-la e transformá-la em fonte de acumulação.
A partir do Século XVIII às inúmeras expedições que percorreram os continentes a procura de conhece-los foram consideradas pacíficas. Nada queriam se não saber como o Planeta era. E souberam. Também levaram este conhecimento para a Europa, onde se fez o uso fundamental deste saber, conquistar. A expedição científica promovida pelas nações ocidentais entre os séculos XVIII a XX foram a ponta de uma lança que entrou fundo nos continentes.
A conquista foi facilitada pelo saber. Nada permite maior controle sobre um território do que o conhecimento. As técnicas que partem de um saber científico e direcionada para um fim específico pode fazer estragos. A história da conquista ocidental é um exemplo disso. Turner que o diga.
Ainda hoje vivemos isto e continuaremos nesta jornada. O controle que existe sobre o ser humano é a demonstração do saber. Como conhecer o movimento das pessoas, seus desejos e valores são fundamentais para uma economia de mercado. Enriquecer é além do vender os desejos também é construí-los. A vontade pode ser manipulada e se pode dar valor ao desejo mais ínfimo. Talvez, por isso, somos cada vez mais egocêntricos “em um mundo cheio de espelhos”.

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