Ocidente: civilização e terror


A supremacia é sempre resultado do confronto. Aprendemos enquanto civilização a arte de fazer guerra e industrializar a morte na mesma proporção que geramos a vida. Nossa contradição maior é esta. O que somos é desenhado a sangue que pulsa e que se derrama.
Na origem, nós e os outros
Na Roma Antiga, os bárbaros habitavam até onde a civilização se estendia. Ser civilizado era pertencer ao Império fundado na cidade latina e que viveu uma grande expansão a partir do Século IV a.C. A grande conquista romana gerou aos seus cidadãos o sentimento de estarem no centro do mundo. Fizeram do Mediterrâneo, o mar que banhava as civilizações conhecidas, um “Lago Romano”. Quantos inimigos Roma não fez?!
A história das civilizações é a história dos confrontos, das lutas pelos territórios, da busca de manter-se e submeter. A humanidade conheceu inúmeros combates para se impor uma dominação. Porém, nenhuma foi tão bem-sucedida quanto a da civilização ocidental. Hoje, assim como Roma, a civilização ocidental constituiu uma dominação eficiente, mas, também, seus inimigos.
Há mais de 500 anos a aventura dos países ibéricos dava os primeiros passos para uma dominação planetária. Sua ambição se expressa no Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, por Portugal e Espanha. As duas nações de pouca expressão no contexto mundial, anônimas até então aos grandes feitos, seriam precursoras da dominação planetária.
O Tratado de Tordesilhas foi um dos primeiros a expressar a ambição de dividir o mundo que se quer tinha conquistado. Este texto em português, escrito nas Américas, terra batizada e colonizada pelos ibéricos denuncia o sucesso.
Ao longo destes mais de cinco séculos se revezaram várias nações europeias na supremacia planetária, assim como, há 100 anos, emergiu a dominação norte-americana. Uma colônia do Ocidente assumiu a liderança mundial.
Toda esta sequência de lideranças, vale lembrar, desenhadas por conflitos. Da mesma forma que submeteram outras civilizações, as nações ocidentais promoveram guerras entre si. Duas delas, as duas mundiais, deram um sentido do poder de destruição que se lança sobre todo o Planeta ainda hoje. Se a “guerra final” vier, não há como escapar.
A conquista planetária também se fez. Para entende-la, vamos a um próximo texto...

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