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Políticos lobo e cidadãos ovelha


A ironia do poder. Os homens públicos, em sua maioria, são políticos profissionais. Eles constroem seu patrimônio ao manter-se no poder. Este é o sentido que os movem. E o que move o eleitor? 
A reforma política esbarra na função do poder. A quem ele serve? Ontem a Comissão da Reforma Política na Câmara dos Deputados reprovou a extinção do cargo de vice. Por 19 a 6. Esta não é a medida mais importante da reforma, mas uma das emblemáticas. Manter um cargo sem sentido e com custo elevado. Enquanto função, pra nada serve. Mas tem serventia para as forças que sustentam o poder.
A função de um vice é consolidar uma aliança. Dar sustentabilidade aos acordos políticos que sustentam o poder estabelecido, seja municipal, estadual ou federal. Ele sela os compromissos e mantém a unidade de interesses. Bom lembrar que muitos vices são um ”inimigo íntimo”, talvez, o “inimigo de primeira hora”.
Gilson Aguiar comenta a política de lobos com cidadãos cordeiros.
Se for considerar que necessitamos economizar, enxugar a máquina pública, reduzir despesas, o vice não faz sentido. Porém, quem disse que o poder é algo que faça sentido a população, ao cidadão que elege.
Assim, não há esperança de ver uma maior representatividade, equilíbrio entre candidatos e originalidade na representação dos homens públicos. Vamos perceber que a Reforma Política não será significativa. Ela atenderá a quem está no poder. Quem irá decidir sobre a reforma é o maior beneficiado dos males que ela deveria mudar.
É isso mesmo meu caro cidadão e eleitor, demos aos lobos o cuidado das ovelhas. Por isso, não espere ser beneficiado por alguém que não tem como sentido representar o cidadão. Também, não surgiu de suas bases sociais.

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