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Venezuela é aqui?


Por mais que haja diferenças entre nós e o país vizinho, o nosso ambiente político pode gerar semelhanças. Em meio a crise emergem os salvadores da pátria, o candidatos a ditador.
 A resposta a esta pergunta me preocupa. Há uma ditadura em formação no país vizinho. Há uma repressão se estabelecendo. Acabando com a democracia, o regime de Nicolai Maduro faz suas vítimas, já tem seus mortos. Mas a morte lamentável de pessoas não é o suficiente quando uma ditadura se instala, morre também a esperança.
Ao assistirmos os atos de repressão a manifestações contra o governo venezuelano, estamos aprendendo a lição? Há alguma possibilidade de que tenhamos um destino parecido aos dos venezuelanos? Os quais, por sinal, se multiplicam a nossa volta fugindo do regime de terror.
O impasse sobre nosso destino está nas manifestações políticas e nas críticas ao atual momento político que o país vive. A corrupção, que envolve o próprio presidente da república, como a crise econômica, a qual traz um ambiente de incerteza, geram um ambiente perigoso.
A lucidez deveria emergir para avaliar o que estamos vivendo. A corrupção é uma prática antiga, que se combate com a punição aos corruptos e a defesa da transparência, coisas que só a democracia pode nos dar. Não se resolve os excessos dos governantes dando poder excessivo a quem governa. Ditaduras são corruptas. A diferença da democracia é que os atos ilícitos de ditadores não podem ser divulgados pelos meios de comunicação.
Gilson Aguiar comenta, em áudio, o tema.
Porém, os brasileiros são limitados na compreensão do que estão vivendo. Não tem dimensão de sua própria história, tão necessária para saber quem é e para onde se vai. Vivem de interpretações imediatistas sem poder comparar e avaliar se o problema de hoje vem de longa data ou não.
Nesta incerteza e ignorância sempre emergem os “salvadores da pátria”, os protetores do povo, os moralistas de plantão. Estes personagens começam a mostrar sua face no ambiente político como candidatos as próximas eleições. O profeta do futuro, o vitimado perseguido por ser representante do povo, são as retóricas dos “oportunistas”.
Não se resolve um problema complexo com um personagem messiânico. Não existe em um único ser humano a resposta para nossos problemas. Esta é a questão, o problema somos nós. A crise passa pela nossa responsabilidade, ou melhor, a falta dela. Nossa ignorância nos condena. Desconhecemos a história deste país, suas relações lógicas de poder.
Precisamos romper com nossa ignorância. Compreender melhor nossa formação e ter uma preocupação em construir uma democracia sólida e uma qualidade de vida permanente e não aparente.
Sei que nem todos se interessam e nem todos vão se interessar. Mas quanto mais temos critérios para avaliar o que vivemos, melhor será nossa capacidade de escolha. Liberdade não é escolher democraticamente alguém que a nos tire. Liberdade é garantir o direito a ser livre e escolher de forma responsável uma solução para nossos problemas. Principalmente, porque o problema é nosso.

Comentários

  1. Realmente Professor Gilson! Precisamos romper com nossa ignorância.

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