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Mostrando postagens de Setembro, 2017

Passivo Social II

Ao longo da história construímos um passivo social que se mantém o nosso principal dilema. A solução está em romper com a ignorância que o a política econômica não quis ou não se propôs a superar. A herança do que a escravidão gerou não é uma questão racial, mas econômica e social. Vai além da questão de uma nação escravizada, é o país escravizado. Geramos, ao longo do tempo, uma visão sobre o trabalho, seu significado, seu sentido. E a impregnação de sentido que a escravidão deixou não foi boa. O trabalho não significou dignidade com o tempo, mas uma expressão da miséria. Durante as décadas que sucederam a abolição, a partir de 1888, o grande número de pessoas liberadas da condição servil ficou disponível para trabalhos braçais de baixa complexidade. Uma mão-de-obra barata que seria tratada livre da mesma forma de quando era escrava. Mesmo as gerações futuras destes trabalhadores sentiriam no trato o que foi a escravidão. Porém, a produção agrícola fundada no trabalhador braçal, no …

Crise, que crise? Qual delas?

Não se resolve crise com reza. Representante do Ministério do Trabalho e o ministro da Fazenda pediram oração e fé ao cidadão para um futuro melhor. Nada contra, mas isto não pode ser uma ação para a superação da crise.  O pais vive uma recessão e dá sinais de recuperação. Isto é fato. Os números da geração de emprego estão apontando para uma melhora no mercado de trabalho, lenta. O país já tem acumulado mais de 101 mil vagas de trabalho com carteira assinada, este ano. Contudo, quando indagado sobre os números até o final do ano, o coordenador-geral de estatística do Ministério do Trabalho, Mário Magalhães, pede uma reza, uma oração, uma vela acendida. Ou seja, “só por Deus”. Segundo o Ministério do Trabalho, o desemprego recua, mas a informalidade é o maior gerador de trabalho no Brasil. O país tem um custo caro para a geração de empregos formais. Talvez a informalidade seja uma demonstração do famoso “custo Brasil”. O informal é inseguro. Ninguém faz negócios duradouros em um amb…

Trânsito: um meio e não um fim

A vida não vale tão pouco. Mas no lugar transitório ela parece ser colocada em risco e acaba em deslocamento sem chegar ao seu destino. Temos que civilizar o lugar onde os encontros são tensos, o trânsito. Estamos na Semana Nacional do Trânsito. O que deveria ser um meio, para muitos se torna um fim em si mesmo. Não há lugar onde a relação com os outros é tão tensa e intensa quanto o trânsito. Muitos envolvidos, nem todos dispostos a entender que não estão sozinhos. Mas de onde vem tamanho ódio. Do instinto. Da perda da civilidade e da possibilidade de descarregar no meio os ódios sem fim da vida recheada de frustrações e tensões. A cidade aglutina a particularidade. Uma grande parte dos que convivem no trânsito estão em busca de realizar seus interesses e a qualquer momento alguém pode se transformar em seu inimigo. O trânsito é a descarga da neurose coletiva expressa em cada um. O trânsito é visto como um ambiente tenso e intenso. O que é um encontro temporário se transforma no ambi…

O passivo social I

As marcas de nossa formação ainda pulsa em nossa vida social. Perceptível a poucos, infelizmente. Mas aos mais atentos percebe os riscos traçados em nossa formação que contornam parte considerável de nossos problemas na atualidade. O Brasil tem um passivo social, intenso e extenso, como foi a escravidão que o gerou. A organização da empresa colonial portuguesa se fez bem-sucedida com a economia agrária açucareira, assim como nos desdobramentos das atividades que deram sentido a economia mercantilista que gerou a colônia portuguesa. A escravidão, força de trabalho determinante para o sucesso da empresa colonial, estabelecida nas primeiras décadas de colonização, se consolidou no território. Intensa pela contribuição singular da formação social com a miscigenação do africano com o europeu e, também, o indígena. A proporção da mistura contribuiu para a formação de uma sociedade fundada na diversidade, na multiculturalidade e, mesmo para alguns, na multirracialidade. Nossas heranças dest…

Até onde todos são inocentes?

Os que acusam podem ser acusados? Acredito que há um número significativo de indignados com a corrupção que gostariam de ser beneficiados por ela. Não adianta fazer a crítica aos que comentem o crime do "colarinho branco" se parte considerável da população faria o mesmo. O país vive mais uma série de acontecimentos que denunciam a lógica do poder. Os atos ilícitos são tantos e se multiplicaram. Mas isto já faz tempo. Não há novidade no ato e sim na denúncia. Não se engane e não caia na mentira de dizerem que “nunca antes na história do país houve tanta corrupção”. Ela já existia e existe, estamos sabendo um pouco mais sobre elas. Enquanto o ex-presidente Lula é denunciado, o atual, Temer, é acusado de dividir um milhão de reais. Empresário preso, Wesley Batista, teria usado informações privilegiadas para se beneficiar e lucrar no mercado financeiro. Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro é preso enquanto apresentava programa de rádio. A acusação a Garotinho é compra de …

A retórica da mentira, estamos em campanha

Política é relação e não personalidade. O poder se mantém com o tempo e não se mede pela pessoa que ocupa o poder. Nós temos que mudar a nossa forma de praticar a democracia. Não podemos fazer escolhas de pessoas, mas sim das propostas, principalmente respostas. Meus caros, agora começa a campanha eleitoral. Ela já tem seus pré-candidatos dando a cara, mas ainda com medo de dar à tapa. A principal intenção é sentir o ambiente político e iniciar negociações visando coligações. Tem muito candidato que é puro balão de ensaio. Diz que vai, mas não vai. Neste ambiente ocorre a demagogia do futuro. A retórica eleitoral. Claro que o tema não poderia ser outro, a tal da honestidade. Você irá ver brotar nomes novos e novos candidatos. Nunca o novo parece ser tanto a solução. Este ambiente me lembra do retorno a democracia e a primeira eleição direta, presidencial, que ocorreu no país em 1989, após o regime militar. Logo após a aprovação da atual Constituição Federal por uma assembleia constit…

Crise, Farda e Democracia

Corrupção na república não se resolve com golpe, muito menos militar. Atos ilícitos devem ser combatidos com maturidade do cidadão. Consciência e ação da sociedade leva a melhora do comportamento dos homens públicos, escolhidos com melhor critério. Não se resolve crise com farda. Porém ainda persiste a ideia de que a ética entre os que usam farda é mais influente. Uma pesquisa do Paraná Pesquisa mostra que a maioria dos brasileiros considera que corrupção entre os militares é menor que entre os civis. Segundo o levantamento 64,7% dos entrevistados consideram que a corrupção é menor nas forças armadas. Enquanto isso, 29,4% consideram que é igual as instituições civis. São as mulheres que mais consideram a igualdade de comportamento entre fardados ou não quando a questão é corrupção, 31,9. O que é marcante na entrevista, quando se fala em percentual de confiança na ética militar, é o público mais jovem, 16 a 24 anos. Entre eles, 69,2% confiam mais nos fardados. Entre os mais velhos est…

Bolsa família e cabresto político

Muitos homens públicos, e isto é histórico, associam o direito do cidadão aos seus atos. Como se fosse uma benesse, um favor. A aparente dádiva do político faz com que uma obrigação do Estado seja a personificação da ajuda do bem feitor. Depois de anos da retórica da abundância e da busca de superar a desigualdade, o país vive a realidade do seu passivo social. Há um número imenso de brasileiros afastados de uma condição de produtividade. Nas regiões Norte e Nordeste estão as maiorias desta população. A realidade é histórica, permanente e preocupante. O desenvolvimento econômico assistido pela Região Sudeste na segunda metade do Século XIX, com a queda da economia açucareira como pauta predominante na balança comercial, associada ao processo abolicionista voltado para a solução de mão de obra cafeeira, a Região Nordeste iniciou sua trajetória de decadência. Já, no Norte, há uma condição periférica predominante. As condições de infraestrutura associada a qualificação humana nunca se r…