Até onde todos são inocentes?


Os que acusam podem ser acusados? Acredito que há um número significativo de indignados com a corrupção que gostariam de ser beneficiados por ela. Não adianta fazer a crítica aos que comentem o crime do "colarinho branco" se parte considerável da população faria o mesmo.
O país vive mais uma série de acontecimentos que denunciam a lógica do poder. Os atos ilícitos são tantos e se multiplicaram. Mas isto já faz tempo. Não há novidade no ato e sim na denúncia. Não se engane e não caia na mentira de dizerem que “nunca antes na história do país houve tanta corrupção”. Ela já existia e existe, estamos sabendo um pouco mais sobre elas.
Enquanto o ex-presidente Lula é denunciado, o atual, Temer, é acusado de dividir um milhão de reais. Empresário preso, Wesley Batista, teria usado informações privilegiadas para se beneficiar e lucrar no mercado financeiro. Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro é preso enquanto apresentava programa de rádio. A acusação a Garotinho é compra de votos, uma prática antiga. Não se assuste. Você apenas está vendo mais do que é muito.
A crítica que se faz ao poder é justa, mas quantos dos que criticam são justos? (clique aqui para ouvir o comentário)
O que estamos assistindo é a demonstração da lógica que sustenta o poder. A relação perniciosa entre os homens públicos, as empresas bem sucedidas por estar associada ao poder e a velha forma como o bem público serve a interesses privados. Não há nada de novo nisso.
A mudança desta condição é mudar a relação. Assumir aquela retórica que todos têm e poucos praticam, chamada de cidadania. É a cobrança dos direitos e entender os deveres. Aprender a romper a relação viciada e prejudicial e fazer valer o interesse coletivo em vez do particular quando se fala do “bem público”.
Agora, sempre bom lembrar, muitos dos que criticam os crimes e os criminosos o fazem por não serem beneficiados pelos atos ilícitos. Quanto de nós faria o mesmo se chegassem ao poder? Quantos empresários se tivessem a oportunidade do benefício ilícito, compactuariam, pagariam e receberiam valores ilícitos? Talvez, na resposta a estas questões esteja o nosso principal problema.
Quantos fariam o mesmo do que criticam?

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