Bolsa família e cabresto político


Muitos homens públicos, e isto é histórico, associam o direito do cidadão aos seus atos. Como se fosse uma benesse, um favor. A aparente dádiva do político faz com que uma obrigação do Estado seja a personificação da ajuda do bem feitor.
Depois de anos da retórica da abundância e da busca de superar a desigualdade, o país vive a realidade do seu passivo social. Há um número imenso de brasileiros afastados de uma condição de produtividade. Nas regiões Norte e Nordeste estão as maiorias desta população. A realidade é histórica, permanente e preocupante.
O desenvolvimento econômico assistido pela Região Sudeste na segunda metade do Século XIX, com a queda da economia açucareira como pauta predominante na balança comercial, associada ao processo abolicionista voltado para a solução de mão de obra cafeeira, a Região Nordeste iniciou sua trajetória de decadência. Já, no Norte, há uma condição periférica predominante.
As condições de infraestrutura associada a qualificação humana nunca se realizou. Projetos não faltaram, mas a questão não são ideias e sim relações práticas para sua execução. A miséria se concentra e passa a gerar benefícios para que se alimentasse dela. O coronelismo, a opressão pelo mando sobre a ignorância faz história na política brasileira. Quem estuda a sucessão dos homens públicos ligados a esta região vê a permanência das oligarquias no poder.
Miséria, o passivo social, é para muitos homens públicos o seu maior capital eleitoral. Clique aqui para ouvir mais.
A ignorância não contribui em nada para a democracia.
Agora, em reportagem da Gazeta do Povo, um levantamento com dados do Ministério do Desenvolvimento Social e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que de cada R$ 3,00 do Programa Bolsa Família, R$ 2,00 vão para as Regiões Norte e Nordeste. O que era para ser uma colaboração temporária tem se prolongado como a manutenção da miséria.
Ao deixar pessoas com um condição mínima e precária de sobrevivência se lhe dar uma condição concreta de ingresso no mercado de trabalho com um ambiente de desenvolvimento, se alimenta um agrupamento de mando social. Grande maioria da população em condição de extrema pobreza no Brasil não consegue distinguir o benefício com objetivos concretos de um favor, concessão, dada por um “caudilho” político local.
Não podemos nos enganar de que a miséria é um mal que atinge a todos. É um problema para quem deseja um país onde a liberdade e a capacidade de emancipação das pessoas é um objetivo. Para quem teme a lucidez e vive da dependência parasitária das migalhas públicas para garantir seu reduto eleitoral, os miseráveis são uma necessidade.

Eleição da miséria, bolsa família e cabresto eleitoral.

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