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Crise, Farda e Democracia


Corrupção na república não se resolve com golpe, muito menos militar. Atos ilícitos devem ser combatidos com maturidade do cidadão. Consciência e ação da sociedade leva a melhora do comportamento dos homens públicos, escolhidos com melhor critério.
Não se resolve crise com farda. Porém ainda persiste a ideia de que a ética entre os que usam farda é mais influente. Uma pesquisa do Paraná Pesquisa mostra que a maioria dos brasileiros considera que corrupção entre os militares é menor que entre os civis.
Segundo o levantamento 64,7% dos entrevistados consideram que a corrupção é menor nas forças armadas. Enquanto isso, 29,4% consideram que é igual as instituições civis. São as mulheres que mais consideram a igualdade de comportamento entre fardados ou não quando a questão é corrupção, 31,9.
O que é marcante na entrevista, quando se fala em percentual de confiança na ética militar, é o público mais jovem, 16 a 24 anos. Entre eles, 69,2% confiam mais nos fardados. Entre os mais velhos este percentual é menor.
Brasileiros consideram que nas Forças Armadas são mais éticas. Mas isso não significa que são uma solução.
Por Região é o Sul a que menos confia na ética militar quando o assunto é corrupção, 54,4%. O Nordeste é a Região com maior confiança, 67,4%. A pesquisa não apresenta um levantamento por grau de instrução dos entrevistados.
Aparato de segurança é meio e não solução. Hoje, nem as próprias forças armadas tem interesse em assumir o poder. A democracia que se espera cada vez amadurecida de suas duas experiências de ter a verdade estampada sobre a lógica corrupta do poder cresce com a dor. A cidadania não se constrói de decretos e de intervenções militares.
A cidadania é resultado de ação e consciência. Se não há cidadania, não há democracia. A cidadania é a melhor forma de combater a corrupção. Mas para isso, precisamos exercer a cidadania e não deixar que ela seja invadida pelo abuso, pela intervenção.

Em um ambiente de crise não é golpe militar que resolverá os nossos problemas.

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