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Mostrando postagens de Outubro, 2017

Estado regula mercado

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Estado regula mercado e agora quer regular os aplicativos de transporte urbano. O discurso de proteção aos taxistas é, na prática, uma forma de manter uma reserva de mercado sem resolver o problema da mobilidade urbano. No Brasil há uma tendência na defesa da proteção a mercados e garantias de negócios. Agora estamos lidando com o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 28/2017, que o Senado deve votar nesta terça-feira, de autoria do deputado Carlos Zarattini (PT-SP). Limitando o uso de aplicativos em defesa dos taxis e seu custo elevado para grande parte da população.
Inegável que o Uber reduziu o custo de deslocamento e viabilizou um transporte com mais conforto e, mesmo, segurança para a população. A história dos riscos e do mau caráter na profissão existe em todo o lugar. A placa vermelha dos taxis não é sinônima de segurança plena.
Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui.
Porém, o elemento que busca aparentemente defender os taxis e deixar as grandes cidades brasileiras sem resp…

A lógica dos abutres

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Uma proposta de país não existe no Congresso. A governabilidade se sustenta no imediatismo e sectarismo e não em um projeto nacional. Não se discute a sociedade, mas sim a viabilidade de manter-se na função. Hoje pode ser o dia que define o futuro do presidente Michel Temer. Acredito que não teremos nada de novo. Mas a prática antiga de manter-se do presidente denuncia mais uma vez a sua lógica, a dos abutres. O que se chama de “base aliada” nada mais é que aliados mercenários.
O presidente recebeu em 15 dias mais de 120 deputados. Tudo vale para aumentar o número de votos favoráveis ao parecer do deputado Bonifácio de Andrada (PMDB-MG), que engaveta a acusação contra o presidente e seus sócios.
Para atingir seu objetivo o presidente distribuiu emendas, cargos, dinheiro, refis e benesses de toda a forma. O ambiente é otimista para Temer, ele deve se livrar de mais essa. O preço a ser pago, contudo, desgasta. Medidas de agrado aos aliados, alguns de última hora, outros, a maioria, m…

Casta Política

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Acreditamos na representatividade, mas ela é apenas o ato da escolha do representante público. Ela não se exercita como atuação do político. A vocação do homem público se confunde e, muitas vezes, está subordinado a sua busca de se fazer na política. A profissionalização da política e suas regras de poder existem e derrubam por terra a retórica da representatividade. Não há o poder ideológico tão propagado, há a busca de manter-se na função pública para fazer carreira. Em países como o Brasil, com sua história de poder, a formação da oligarquia política exige ritual.
A carreira de um homem público deve passar pela sabatina dos acordos, da manutenção do trato entre o poder legislativo e executivo. Representar nunca estará acima de acordos que sustentam suas posições. A ascensão na carreira política em uma democracia não passa pela expressão dos interesses sociais. A manobra da função eleita em benefício de um poder que pouco representa as classes populares é prática. Para ouvir comentá…

Corporativismo

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Corporatismo da casta política é a demonstração da permanência no poder dos mesmos homens públicos. Enraizada e disposta a manter-se no poder a qualquer preço. Se há algo que une a classe política é a ameaça aos seus benefícios. Nunca coloque uma classe em ameaça, ela mostra que acima das divergências há a sobrevivência. Esta é a condição para explicar Aécio e seu retorno ao Senado. Os parlamentares foram contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e votaram a favor do retorno do senador ao seu mandato. Também, o fim da prisão domiciliar do mineiro.
Porém a votação não foi tranquila. Ele obteve 44 votos. Precisa de 41. 26 senadores foram contra Aécio. Há quem foi votar mesmo com atestado médico, doente, segundo alguns, com as tripas de fora, foi o caso do senador Romero Jucá, do PMDB. Mas o sacrifício também foi da oposição, Ronaldo Caiado, de cadeira de rodas, após cair de uma mula, fez questão de comparecer para votar contra. Ouça comentário sobre o tema (clique aqui). O clim…

Governabilidade apartada

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A crise do atual governo é uma demonstração da influência que a sociedade tem sobre poder, quase nula. Ironicamente, estamos em uma democracia. Porém, o poder não reflete a sociedade, se impõe sobre ela. A economia está imune da política? Tem quem defenda esta tese. Acredito parcialmente em relação a sobrevivência da vida econômica, mas sua melhora e crescimento vai depender do que ocorrerá no ano que vem. E pasmem, da sobrevivência de Temer no segundo round das acusações que serão aceitas ou não pela Câmara de Deputados.
Lucio Funaro, o doleiro, fez delação contra Temer e o coloca como chefe de uma quadrilha. Também relata a relação íntima do presidente com Eduardo Cunha. Os acusados rebatem. É nestas horas em que advogados entram em cena. O do presidente Temer arrumou uma briga desnecessária com aliados ao considerar criminosa a divulgação no site da Câmara dos Deputados de vídeos com a delação de Funaro.
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, um dos mais ofendidos, re…

Demagogia

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Demagogos são antigos, tradicionais e bem sucedidos onde há um empobrecimento da consciência sobre qual o papel do poder público. Em ano de eleição eles voltam com tudo.  Prática comum nas democracias. Desde a Grécia Antiga, o demagogo se coloca diante da massa. Raso, trabalha temas que exigem profundidade com a lógica precária, mas acessível a maioria da população. A agradável fala que encaixa no ouvido e não exercita o cérebro.

Agora, estamos de volta a temporada dos demagogos. Os candidatos se lançam e professam em suas oratórias ilusórias a solução que se diz definitiva. Não é. Temo que nas eleições, a maioria tenda a votar na promessa e não busque a certeza.
Demagogia é retórica constante e perigosa. Clique aqui para ouvir o comentário. Mas qual seria a forma mais correta de escolher um candidato? Acredito que observando a trajetória dos que se propõe a enfrentar o problema. Olhar com atenção os atos e menos a fala.
Outra medida eficiente é observar e analisar os que estão à fre…

Sonho na rua

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Os automóveis "velhos" começam a ser abandonados nas ruas. Serão cada vez mais e muitos. Um problema. Um imenso resíduo. Um lixo que já foi luxo. Em Maringá há 122 reclamações de veículos abandonados no ano, segundo a Prefeitura Municipal, através da Ouvidoria. A maioria dos proprietários que foram notificados retiraram os veículos das ruas. Lembrando que o proprietário tem 10 dias, após notificado, para tomar providência e retirar o carro do local.
Veículos abandonados trazem uma série de problemas. Um deles é o acúmulo de água e a propagação de doenças, como a Dengue e Chicungunha. Mais que isso, eles são um resíduo imenso. Na proporção do que já foram um dia, um sonho de consumo.
Como as coisas mudam.
Para ouvir comentário sobre o tema clique aqui.
Esta é uma sociedade que cada vez mais vive o descarte. O que é engraçado, vai para o lixo o desejo e o luxo. O tempo de vida dos produtos se encurtam e o desejo de consumir os sonhos cresce. Sempre se tem algo novo para sonhar…

Empresários na política e a máquina viciada

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Empresários na política não é um problema, mas também não se torna solução. Os vícios da máquina pública limitam ações dos gestores. Infelizmente, a máquina pública tem suas peculiaridades. Diferente da empresa privada. Nas eleições do ano que vem teremos a febre da mudança. Gente nova na política e a inovação na administração pública. Muitos vão de carona com a retórica de defender um empresário na gestão da máquina estatal. Mas será que isto é um bom negócio?
Uma pesquisa feita por um professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Eduardo Mello, em conjunto com um colombiano Nelson Ruiz, a conclusão é de que ser empresário não muda os resultados em relação a eficiência ou não do poder público. Leia reportagem sobre a pesquisa clicando aqui. A pesquisa foi feita com cidades com menos de 300 mil eleitores. Apesar de não abranger grandes municípios ou outros governos, estaduais ou federal, ela demonstra que os resultados de uma gestão de um empresário político são próximos de um político …

Custo da democracia

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Somos o elemento mais importante da mudança política. A cidadania exercida gera resultado, altera as relações fundadas em vícios. Temos que ter coragem, consciência e ação para melhorar nosso comportamento como cidadãos. Ontem, o Congresso Nacional aprovou recursos públicos para financiar as campanhas de políticas no ano que vem. Quase R$ 2 bilhões serão distribuídos entre os partidos. A maior parte dos recursos vão para os partidos com maior representação no Congresso. Fato que limita a ascensão de novos nomes e siglas desconhecidas.
Os políticos poderão gasta à vontade recursos próprios para financiar suas campanhas.
A medida mais polêmica é o controle de conteúdo na internet. Pelas mudanças votadas ontem, qualquer conteúdo considerado ofensivo e infundado serão retirados de circulação sem necessidade de decisão judicial. Muitos parlamentares votaram a favor do projeto e não tinha ciência desta medida.
Porém, o verdadeiro custo da democracia não são a quantia do financiamento. O c…

Adulterados e infatilziados

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O encontro da infância com o adulto infantil pode gerar abusos. Tanto por parte da criança sem limites, como do adulto que reivindica ser tratado como um irresponsável legitimado. Muito da pedofilia que assistimos hoje é isto. A pedofilia cresce? Não acredito. Considero que ela está sendo denunciada. A prática é antiga e no tempo de nossas avós era legitimada. Quem não se lembra de uma bisavó que tenha caso com 13, 14 ou 15 anos. Ainda uma pré-adolescente e já era desposada por um home, muitas vezes mais velho, com diferença de idade de mais de 10 anos. Isto era pedofilia?
Claro que não podemos comparar nossas avós ou bisavós com o que estamos vivendo. Não há mais a iniciação a fase adulta marcada pela passagem da mulher de uma família para outra reproduzindo os passos da mãe. Ser uma mulher a servir o seu marido era o destino.
No caso dos meninos, a iniciação não era menos prematura. Levado ao ambiente onde as mulheres maduras e profissionais do sexo lhe dariam as primeiras lições …

Política de ganhos

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Política é feita de interesses. Há os do cidadão e os dos representantes públicos. Qual prevalece? Entre a retórica eleitoral e relação real, a representação política gera uma casta, disposta a atender seus interesses. Volta a discussão na Câmara de Vereadores de Maringá o pagamento de décimo terceiro salário para os parlamentares municipais. A questão divide opiniões, mas a maioria dos maringaenses é contra a mais este ganho aos parlamentares.
Na Câmara de Vereadores o projeto que permite o recebimento do décimo terceiro salário entrou e saiu. Depois de uma combinação nos bastidores que contavam com apoio de todos os parlamentares, na hora da votação, houve quem pipocou. Parlamentares recuaram. Pediram a suspensão da discussão por quatro sessões.
Indignado com a quebra do acordo, o presidente da Câmara, Mário Hossokawa retirou o décimo terceiro de votação e arquivou o projeto. Por ele, nunca mais volta. E se voltar, ele vota contra.
Na mesma fala do porque não apoia mais, o presiden…

Peso da liberdade

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O implacável tempo. Deste ninguém escapa. Nem os que se acham capazes de não se responsabilizar pelas escolhas que fazem. Estamos diante da propagação da ideia de que não somos responsáveis pelas atitudes que tomamos. Há um certo glamour do agora. “Faça o que quiser, pois vida só existe uma”. Frase deturpada de um existencialismo mal compreendido.
Vida é uma e longa para se arrepender das escolhas. Um bom contraponto para o que se consideram senhores de seu destino umbilical. O futuro virá e, para os que tem consciência de seus atos, ele é sagrado. Por isso, para estas mesmas pessoas, o presente é importante.
Agora se faz o futuro. Irremediavelmente, diga-se de passagem. Como Sartre afirma, somos condenados a liberdade. Temos escolha, mesmo que seja no momento em que, aparentemente, elas não existem.
Podemos aceitar ou não uma condição. Por pior que ela seja. Mas ao desejar ou não viver uma experiência, se faz uma escolha. Há que ficar atento a duração de nossas dores e o quanto el…