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A lógica dos abutres


Uma proposta de país não existe no Congresso. A governabilidade se sustenta no imediatismo e sectarismo e não em um projeto nacional. Não se discute a sociedade, mas sim a viabilidade de manter-se na função.
Hoje pode ser o dia que define o futuro do presidente Michel Temer. Acredito que não teremos nada de novo. Mas a prática antiga de manter-se do presidente denuncia mais uma vez a sua lógica, a dos abutres. O que se chama de “base aliada” nada mais é que aliados mercenários.

O presidente recebeu em 15 dias mais de 120 deputados. Tudo vale para aumentar o número de votos favoráveis ao parecer do deputado Bonifácio de Andrada (PMDB-MG), que engaveta a acusação contra o presidente e seus sócios.

Para atingir seu objetivo o presidente distribuiu emendas, cargos, dinheiro, refis e benesses de toda a forma. O ambiente é otimista para Temer, ele deve se livrar de mais essa. O preço a ser pago, contudo, desgasta. Medidas de agrado aos aliados, alguns de última hora, outros, a maioria, mercenários, deve custar cada vez mais caro ao vice de Dilma.

A oposição vai tentar esvaziar a votação e não deve conseguir. A tática é não deixar a votação ocorrer para “sangrar” cada vez mais o presidente. Ver Temer deteriorar sem tempo ou força para reagir. Mas isto não vai acontecer.

Temer vai vencer pela segunda vez pela força do Congresso Nacional. Ele sobreviverá pela demonstração clara de que o Poder Legislativo tem um papel vital na governabilidade. Uma aula de democracia republicana onde o Parlamento é peça chave.

Porém, depois de tudo considerado, esperamos que se aprenda o quanto que nas cadeiras do Congresso há personagens importantes. Porém, os abutres predominam. A busca da desgraça para tirar o máximo proveito. O que Temer negocia e consegue lidar é com este cenário. Um congresso cheio de mercenários. Não há um projeto de país a ser defendido.

Hoje, o que impera é a lógica do poder sustentada na mediocridade. Cada deputado com seus interesses, muitos deles pessoais, para manter-se no poder, negociando o futuro e suas consequências, com a carniça de um governo moribundo. Cheirando cadáver e atraindo os abutres. Deputados que vivem da morte e não da vida do país.

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