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Adulterados e infatilziados


O encontro da infância com o adulto infantil pode gerar abusos. Tanto por parte da criança sem limites, como do adulto que reivindica ser tratado como um irresponsável legitimado. Muito da pedofilia que assistimos hoje é isto.
A pedofilia cresce? Não acredito. Considero que ela está sendo denunciada. A prática é antiga e no tempo de nossas avós era legitimada. Quem não se lembra de uma bisavó que tenha caso com 13, 14 ou 15 anos. Ainda uma pré-adolescente e já era desposada por um home, muitas vezes mais velho, com diferença de idade de mais de 10 anos. Isto era pedofilia?

Claro que não podemos comparar nossas avós ou bisavós com o que estamos vivendo. Não há mais a iniciação a fase adulta marcada pela passagem da mulher de uma família para outra reproduzindo os passos da mãe. Ser uma mulher a servir o seu marido era o destino.

No caso dos meninos, a iniciação não era menos prematura. Levado ao ambiente onde as mulheres maduras e profissionais do sexo lhe dariam as primeiras lições da masculinidade com todo o direito ao gozo sem preocupação com quem se relaciona. Muitos traíram sua legitimidade e outros confirmariam a tradição do machismo.

Gilson Aguiar comenta a pedofilia, clique aqui para ouvir.

Mas agora, a pedofilia com a qual estamos lidando, o que ela significa?
Vivemos uma sedução da infância. A associação da criança a sexualidade. A relação direta entre o sexo e a infância como uma possibilidade. Músicas, roupas, brinquedos e produções em vídeo tem na temática entre sensualidade e infância sua orientação.

Já o adulto, perdeu o senso de crescer e superar, controlar e administrar os impulsos e desejos. Mata a vontade, fazer o que se quer, é um dos principais estímulos para uma vida sem racionalidade e, cada vez mais, instintiva.

Logo, a pedofilia que temos é fruto do encontro entre a criança adulterada e o adulto infantilizado.

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