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Empresários na política e a máquina viciada


Empresários na política não é um problema, mas também não se torna solução. Os vícios da máquina pública limitam ações dos gestores. Infelizmente, a máquina pública tem suas peculiaridades. Diferente da empresa privada.
Nas eleições do ano que vem teremos a febre da mudança. Gente nova na política e a inovação na administração pública. Muitos vão de carona com a retórica de defender um empresário na gestão da máquina estatal. Mas será que isto é um bom negócio?

Uma pesquisa feita por um professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Eduardo Mello, em conjunto com um colombiano Nelson Ruiz, a conclusão é de que ser empresário não muda os resultados em relação a eficiência ou não do poder público.
Leia reportagem sobre a pesquisa clicando aqui.
A pesquisa foi feita com cidades com menos de 300 mil eleitores. Apesar de não abranger grandes municípios ou outros governos, estaduais ou federal, ela demonstra que os resultados de uma gestão de um empresário político são próximos de um político de carreira.

Mas ao que se deve isso? Acredito que muito mais do que a competência de se administrar uma empresa e gerar eficiência por parte do empresário, é que a máquina pública não tem uma organização e resposta idêntica das empresas privadas. Ou seja, a máquina estatal é contaminada e minada pelas relações entre os elementos que a constituem.

No Brasil, o Estado é marcado pelo excesso de tamanho e o empreguismo como forma de amortecer a crise social. Gerar receita não é meta do poder público. Fator que poderia lhe impor eficiência. Na prática, a inércia do poder público favorece a manutenção de um ambiente social problemático que permite um eleitor permanente. A miséria é campo fértil para um político profissional ineficiente.

Por isso, não é a incompetência do empresário que o faz ter uma gestão parecida com a do político profissional, mas os vícios da máquina pública que condenam o país a resultados medíocres por parte do poder público.

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