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Governabilidade apartada


A crise do atual governo é uma demonstração da influência que a sociedade tem sobre poder, quase nula. Ironicamente, estamos em uma democracia. Porém, o poder não reflete a sociedade, se impõe sobre ela.
A economia está imune da política? Tem quem defenda esta tese. Acredito parcialmente em relação a sobrevivência da vida econômica, mas sua melhora e crescimento vai depender do que ocorrerá no ano que vem. E pasmem, da sobrevivência de Temer no segundo round das acusações que serão aceitas ou não pela Câmara de Deputados.

Lucio Funaro, o doleiro, fez delação contra Temer e o coloca como chefe de uma quadrilha. Também relata a relação íntima do presidente com Eduardo Cunha. Os acusados rebatem. É nestas horas em que advogados entram em cena. O do presidente Temer arrumou uma briga desnecessária com aliados ao considerar criminosa a divulgação no site da Câmara dos Deputados de vídeos com a delação de Funaro.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, um dos mais ofendidos, rebateu. Disse que não é criminoso. Lamentou, falou que ajudou Temer inúmeras vezes e que não merecia o tratamento que está recebendo.
Ouça o comentário sobre o tema. (clique aqui).
Tudo indica que esta votação vai custar mais cara do que a primeira. O número de aliados deve diminuir. Maia não facilitará tanto. Porém, a chance de um afastamento de Temer da presidência é quase nula. Ele sobrevive com a distribuição de recursos e acordos.

As reformas promovidas pelo governo são necessárias. Mas o presidente é figura desgastada, gera suspeitas e incertezas. Se a economia consegue sobreviver diante da crise política, o futuro do país não. Mas tudo indica, que a vontade popular, o descontentamento da sociedade e os problemas crônicos que o país vive já estão separados da governabilidade há muito tempo.
Governabilidade apartada.

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