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Peso da liberdade


O implacável tempo. Deste ninguém escapa. Nem os que se acham capazes de não se responsabilizar pelas escolhas que fazem.
Estamos diante da propagação da ideia de que não somos responsáveis pelas atitudes que tomamos. Há um certo glamour do agora. “Faça o que quiser, pois vida só existe uma”. Frase deturpada de um existencialismo mal compreendido.

Vida é uma e longa para se arrepender das escolhas. Um bom contraponto para o que se consideram senhores de seu destino umbilical. O futuro virá e, para os que tem consciência de seus atos, ele é sagrado. Por isso, para estas mesmas pessoas, o presente é importante.

Agora se faz o futuro. Irremediavelmente, diga-se de passagem. Como Sartre afirma, somos condenados a liberdade. Temos escolha, mesmo que seja no momento em que, aparentemente, elas não existem.

Podemos aceitar ou não uma condição. Por pior que ela seja. Mas ao desejar ou não viver uma experiência, se faz uma escolha. Há que ficar atento a duração de nossas dores e o quanto ela significa em uma vida inteira. O tempo passa, mas a consciência ou a falta dela nos faz dar ao tempo uma qualidade.

Hoje, nas gerações atuais, os que se chamam de Y e Z. Se desprendeu o tempo da responsabilidade. Se rompeu com o ambiente de amadurecer e se institucionalizou a eterna infância. A preocupação com a existência e a coerência de uma história se foi. Para onde, ninguém sabe.

Os órfãos de passado e de futuro consideram que sua memória e aquilo que lhe é mais agradável deve definir quem são. Contudo, somos os atos que tomamos. E disso, não adianta fugir.


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