Política de ganhos


Política é feita de interesses. Há os do cidadão e os dos representantes públicos. Qual prevalece? Entre a retórica eleitoral e relação real, a representação política gera uma casta, disposta a atender seus interesses.
Volta a discussão na Câmara de Vereadores de Maringá o pagamento de décimo terceiro salário para os parlamentares municipais. A questão divide opiniões, mas a maioria dos maringaenses é contra a mais este ganho aos parlamentares.

Na Câmara de Vereadores o projeto que permite o recebimento do décimo terceiro salário entrou e saiu. Depois de uma combinação nos bastidores que contavam com apoio de todos os parlamentares, na hora da votação, houve quem pipocou. Parlamentares recuaram. Pediram a suspensão da discussão por quatro sessões.

Indignado com a quebra do acordo, o presidente da Câmara, Mário Hossokawa retirou o décimo terceiro de votação e arquivou o projeto. Por ele, nunca mais volta. E se voltar, ele vota contra.

Na mesma fala do porque não apoia mais, o presidente do parlamento municipal disse que nada seria votado na “calada da noite”, na surdina. Isto porque o projeto que não estava na pauta da sessão normal da câmara, apareceu em uma votação extraordinária na última quinta-feira.

Políticos buscam seus interesses. Mas qual o limite disso?

Mas a questão é, os parlamentares merecem ou não um 13º salário? Bom, temos que primeiro fazer a pergunta, temos os parlamentares que queremos?

Nós elegemos os vereadores. Eles não colocam em pauta de suas campanhas que desejam ter um décimo terceiro salário. A discussão nunca é feita abertamente. Não se apresenta argumentos do porque os vereadores merecem o ganho.

Não considero ruim os parlamentares municipais terem um décimo terceiro. Este não é o problema. A negativa da maioria da população está relacionada ao descontentamento com o homem público, com a política, com o governo, com tudo o que se associa ao estado.

A visão limitada da população sobre o que merece ou não os representantes públicos têm sua lógica. Ela não consegue discernir a função dos vereadores, como da maioria dos cargos públicos. Isto é ruim.

Se por um lado, os que desempenham de forma eficiente sua função como representantes públicos se consideram desvalorizados e com pouco estímulo para representarem a população, há os que se revoltam por não ter uma boa remuneração já que pretendem se fazer financeiramente na política.

Os maus condenam os bons. Isto acontece em vários lugares. O erro é a generalização. Ou ganha todo mundo ou não ganha ninguém. O mesmo acontece entre os eleitores. A vitória da maioria é democracia. Mas há as minorias que não podem ser esquecidas.

Contudo, se a maioria é ignorante, não conhece a função do poder, a democracia leva a erros constantes. Logo, os vereadores conhecem seus eleitores. Sabem que eles não aprovam o décimo terceiro, mas se tem algo que une os homens públicos são seus ganhos pessoais. Esta proposta é unânime.
Gilson Aguiar comenta sobre os ganhos dos homens públicos.

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