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Aborto: ignorância e ignorantes


Inacreditável. Agora estamos andando de marcha ré. Um Projeto de Emenda Constitucional pode criminalizar abortos feitos por anencefalia, estupro ou risco de morte para a mulher. Um absurdo. Ato de um conservadorismo xiita. Típico da ignorância que desconhece os números sobre o aborto no mundo e, neste caso, principalmente no Brasil.
Hoje, 1,5 milhão de mulheres abortam por ano no Brasil. As que mais abortam são de baixa renda, negras e com baixa escolaridade. Há 250 mil internações por ano pelo SUS. Aqui não se conta as clínicas particulares que não oferecem dados sobre este quesito. Uma em cada 5 mulheres entre 18 e 39 anos já fizeram aborto. Ele é mais comum do que se imagina.

O perfil de quem aborta é surpreendente diante do apelo moral que combate a prática. Mais de 75% das que abortam são cristãs. 70% tem relacionamento estável, ou seja, tem parceiro, família. Sempre se considera que aborto é coisa de adolescentes sem juízo ou que fazem uma pratica sexual livre. Mas os números apontam que 97,5% das adolescentes que ficam grávidas tem relacionamento estável.

Mas um dos dados mais importantes na comparação do Brasil com outros países, é que 98% dos casos de aborto acontecem em países em desenvolvimento. 30% dos países mais ricos liberam a prática do aborto e tem as menores taxas.

Os dados que apresentei aqui são do Ministério da Saúde, Organização Mundial de Saúde, Universidade de Brasília e Grupo de Estudos Sobre o Aborto. Fontes confiáveis e que pelos próprios números devem nos fazer refletir.

Ouça comentário sobre o tema.

A polêmica é imensa. O aborto é praticado por mulheres que fogem a imagem moral de quem o pratica. Abortar é prática feita por mães e com relacionamento estável, ou seja, o lar é onde vive quem mais aborta.

Também temos que considerar o número de abortos por ano. Ele já é praticado e continuará sendo, 1,5 milhão. A lei não altera a prática. Se formos prender todas as mães que abortam, teríamos 6 milhões de crianças sem a presença de suas mães encarceradas.

O que combate o aborto é educação. Conhecimento sobre o tema e comportamento responsável, com planejamento familiar. Vale lembrar que metade das gestantes não planejaram seus filhos. Talvez aí estejam as fontes do problema.

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