Escola: sem partido ou sem competência?


A ignorância propagada é um risco a democracia. Caso ela se instale, pode fazer da maioria ditadores insanos. A questão da "Escola Sem Partido" chega a ser irônica. Querer controlar o conteúdo na escola é incompetência dos professores e ignorância social e política. Quem elabora as leis pode não ter tido "bons" professores.
Mais uma Lei da Escola Sem Partido. Se já não bastassem as discussões em âmbito nacional, com um projeto na Assembleia Legislativa do Paraná, agora brota uma lei no mesmo sentido na Câmara Municipal de Maringá. Um dos autores do projeto, o vereador William Gentil diz querer tirar o radicalismo político de sala de aula. Quando questionado pelo repórter Victor Simião sobre como ficariam as aulas de Sociologia, História e Filosofia com esta lei. O parlamentar não explicou bem, apenas disse que tem tirar o radicalismo político.

Já, o vereador Jean Marques é voto que falta para ver a legalidade ou não da medida, se o poder municipal tem ou não autonomia para ministrar sobre a questão e não se posicionou sobre o mérito. Ele preferiu falar da legalidade a lei. Eu espero que o município não tenha poder de interferir nesta questão.

Por sinal, dizem que os que fazem da sala de aula um palanque partidário são os professores de esquerda. Também, se fala que não se dá tratamento equilibrado as diferentes correntes ideológicas se desprezam o pensamento liberal, de direita e ou conservador. Ou seja, há uma forte influência do materialismo histórico dialético.

Bom, vamos lá. Eu sou um professor da área de humanas, sou um professor de direita. Aos meus alunos, fica claro que critico o materialismo histórico e dialético. Faço crítica ao socialismo e as tendências que a corrente ideológica tomou e toma na vida política do mundo, na América Latina e no Brasil. Quem já teve a oportunidade ou a fatalidade de ter aula comigo, sabe.

http://cbnmaringa.com.br/noticia/gilson-aguiar-comenta-projeto-de-lei-escolas-sem-partido

Porém, sempre apresentei as teses do materialismo histórico com o mesmo respeito que apresento o estruturalismo ou o funcionalismo. A questão não é o professor se posicionar em relação a uma corrente ideológica ou deixar claro sua opção partidária. O problema é a qualidade do ser humano. Quando vamos tratar disso? As pessoas são ruins, os professores são ruins.

A ignorância impera dentro e fola da escola. O ambiente educacional é só uma expressão das relações vazias, sem qualidade científica e de baixa lógica racional. A burrice com um giz na mão é um perigo. Muitas vezes, os maus formados avançam em suas profissões. Médicos, advogados, administradores, psicólogos e na política, como qualquer outra atuação, a expressão da má formação está presente.

Calculo que a presença de um projeto que controle do que é falado em sala de aula é uma expressão da má qualidade da formação humana. Sobre a questão religiosa e de gênero, a lógica é a mesma. O dito religioso, pegando os cristãos como exemplo, em sua maioria, nunca leram a Bíblia, mas decoraram frases soltas para justificar seus pecados. Na questão de gênero, em uma sociedade cheia de comportamentos sexuais agressivos e de uma sociedade mal resolvida sexualmente, qual a competência para proibir o que não conhece?

Enfim, não há lei que resolva a ignorância, o que temos é leis que resultam de uma sociedade ignorante. Seria bom se tivéssemos uma escola melhor, tudo seria mais fácil, melhor discutido e resolvido. Tem muita gente que precisa voltar para a escola. Até que se acha no direito de decidir o que deve ou não ser ensinado. A que ponto que chegamos.

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