Quanto vale a vida?


A vida tem valor. Mas ela pode ser calculada pelo preço das mercadorias, da moeda corrente, do gasto diário ou de seu sentido. No trânsito circulam os que não valem nada e os que tem alto custo. Cabe saber o que dá mais prejuízo em um acidente.
Socorristas do SAMU e SEATE, com apoio da Concessionária Viapar, visitaram bares e restaurantes neste domingo, ontem, dia 9, para conscientizar as pessoas dos ricos de beber e dirigir. Lembraram dos acidentes de trânsito provocados pela ingestão de bebidas alcoólicas. O socorrista do SAMU, na reportagem, relatou que só no dia em que eles estavam fazendo a conscientização já tinham socorrido dez acidentes que foram provocados por motoristas embriagados. Segundo reportagem de Luciana Peña, com socorristas do SAMU e SIATE, uma semana de atendimento de uma vítima de trânsito custa R$ 77 mil.

Quanto custa uma vida?

A resposta para esta pergunta tem duas vias. A primeira é aquela carregada de uma filosofia e sentido da existência. A percepção de viver e dar sentido à vida. Para alguns, se espera muitos, a vida tenha um valor inestimável. Para se calcular o valor que se dá a vida, em seu sentido existencial, as instituições religiosas, os livros de autoajuda, a mensagem expressa na cultura dá sua dimensão. O bom romance, o sentimento diário que temos e cultivamos por quem gostamos, família, amigos, o amor.

A segunda forma de calcular o valor da vida é a que o capitalismo nos permite de forma precisa, o preço, o custo de manter alguém vivo. Quando, monetariamente vale um ser humano. Quando acontece um acidente de trânsito é possível ter a dimensão da importância deste cálculo.

Se a primeira forma não faz com que muitos preservem a sua vida e a dos outros, a segunda nos deve conscientizar de que nem todos tem o mesmo preço e que há investimentos e prejuízos. Acidentes no trânsito que envolvem bebida alcoólica, que geram perdas materiais e humanas, calculáveis e dimensionadas em um valor monetário são um prejuízo coletivo. Um gasto público.

Mas voltando a pergunta que dá título a este comentário: “Quanto vale a vida? ”. Podemos voltar as duas maneiras de responder e concluir que para alguns ela tem um sentido e por isso deve ser preservada, para outros não.  Quando a vida tem pouco valor, por não terem sentido na vida de nada ela vale, é melhor o cálculo monetário. Por isso, por mais que doa, na consciência, no coração ou no bolso, a vida tem preço. Algumas que se perdem só serão lamentadas pelo prejuízo econômico que provocam. Enquanto outras, são perdas irreparáveis. Infelizmente, há corpos monetários que tiram vidas incalculáveis.

Quanto vale uma vida no trânsito?

 

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