Consumidor infantil


Na busca de propagar o consumo se propaga a lógica do “tudo mereço”. Se nega frustrar o consumidor. Muitos já adotam esta lógica na educação dos filhos. Há que considere que as crianças não podem ser privadas de nada. Porém, esta infância se estende a fase adulta e o resultado social está sendo desastroso.
É fácil perceber nas propagandas a mensagem de que todos merecem consumir, ter acesso ao produto e que ele irá mudar sua vida. O que antes era conto de fadas agora é a motivação para aquisição dos objetos mágicos. Está a venda, segundo as mensagens publicitárias, o que irá “mudar a sua vida”. A felicidade simbolizada agora é a busca e exigência para poder conviver no “mundo encantado”.

A vida virou uma brincadeira? Não, mas se brinca com a realidade ao escamoteá-la na estética dos ambientes, das embalagens e da sensação fantástica da aquisição. Parece que não saímos do berço e o conforto da chupeta está disponível a todos os adultos que não toleram frustração. “Se pode fazer os outros chorar, mas o mimado não pode chorar jamais”.

Na lógica da não frustração, a permissividade vai liberando o instinto de quem nunca será educado de forma lógica e nunca alcançará a maturidade. O “tudo pode” incentiva as ações agressivas por muito pouco. Não por acaso assistimos aos inúmeros crimes hediondos cometidos por aqueles que se considerava acima de qualquer suspeita.

Na sociedade da permissividade há ainda os que tentam dar aos agentes da violência, os excessivos mimados, uma doença mental, uma frustração traumática e um comportamento desviante. Não, a grande maioria dos assassinos desumanos sai da mesma forma dos “aparentes normais”. O desprezo a vida humana é um sentimento que se propaga. A perda da responsabilidade sobre os atos parece permitir a violência pelo motivo mais torpe.

A liberdade individual está confundida com a permissividade. A busca da felicidade agora é o desejo satisfeito, o instinto atendido e a falta de respeito como regra. Esquecemos que construímos uma civilização fundada em direitos e deveres. Formamos uma racionalidade da vida coletiva em uma economia que tem na cientificidade uma sustentação. Não podemos esquecer isso.

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