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Drogas: quanto circula e se apreende?


Fotos, divulgação, imagens do sucesso das ações do aparato de segurança contra o tráfico. Estamos mais seguros? Acredito que não. A quantidade de drogas em circulação aumenta. A apreensão é na proporção do que circula. Seria o combate ao tráfico uma guerra perdida? Acredito que sim.
A Polícia Rodoviária Federal e o Denarc fizeram um balanço de suas ações em 2017. No geral, foram mais de 49,8 mil quilos de drogas apreendidas no ano passado, enquanto em 2016 foram quase 28 mil quilos. Grande parte das apreensões são resultado de investigação e denúncias e, as duas condições, associadas.

Mas porque as drogas apreendidas aumentam? Uma boa ação policial? O número de policiais diminuiu nos últimos 30 anos em proporção ao crescimento da população. Os aparatos de segurança reclamam constantemente da falta de estrutura. Falta veículos, coletes, armas, munição, aparelhos e estrutura de investigação. O aparato sofre com o crescimento da criminalidade em uma proporção de sua capacidade de ação.

Podemos então concluir que o aumento de apreensão de drogas está associado ao aumento da circulação. O tráfico cresce. O consumo de drogas se expande e atinge os mais diferentes segmentos sociais. A dependência química é mal trabalhada e a informação sobre o consumo de drogas deturpada.
Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui.

A quantidade de drogas apreendida deve nos dar a dimensão do quanto circula. Se pensarmos que o tráfico continua e age cada vez mais com eficiência, envolvendo um maior número de pessoas. Agora, mulheres grávidas, idosos e crianças são usados para o tráfico. Carros apreendidos em rodovias, conduzidos por alguém na terceira idade, família com mulheres gestantes, crianças pequenas, são comuns.
O volume do que se transporta é proporcional ao que se apreende.

Os aparatos de segurança, debilitados, pouco equipados, carente de quase tudo, tem seu lado heroico de combater o impossível. Imagino que para bons policiais Irrita a repressão ao que cresce, o tal do “enxugar gelo”. Desanima ver, inclusive, membros de corporações militares envolvidos com o tráfico. Tudo isto demonstra o quanto o ambiente para a violência fica favorável.
Sempre bom lembrar que a maioria dos homicídios estão relacionados com o tráfico de drogas. Esta prática alimenta outros inúmeros crimes, furtos e roubos por exemplo. Vale lembrar que as prisões estão superlotadas.

Fico pensando que os policiais são colocados em uma linha de frente de uma guerra quase perdida. Em um conflito em que são colocados sem condições adequadas de combater o “inimigo”. Fico pensando se as autoridades públicas tem ciência de que muitos policiais são expostos a morte? Temo que sim. Aí, talvez, esteja a maior desvalorização do aparato de segurança.


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