Morte periférica


Homicídios tem um perfil claro, são anunciados em sua maioria. Os assassinatos tem ligação com o tráfico de drogas, na maior parte. A violência tem um ambiente determinado e está mais próximas das pessoas que vivem em condição de miséria. 
A morte mora ao lado e é anunciada. Os dados dos números de homicídios em Sarandi e Paiçandu são significativamente maiores do que os de Maringá. Enquanto Sarandi, que tem uma população de 102 mil habitantes, em 2017, teve 30 homicídios e Paiçandu, com 39,5 mil habitantes, teve 19 homicídios, Maringá, com mais de 400 mil habitantes, teve 29 homicídios. Somente os números falam por si. A violência, quando se fala em assassinatos, mora ao lado.

O número de homicídios, para cada 100 mil habitantes, resume a diferença: Sarandi tem 29,4 homicídios para cada 100 mil, Paiçandu tem 48,7 para cada 100 mil e Maringá tem 7,5 para cada 100 mil habitantes.
Por que se morre? A maioria dos assassinatos está ligada ao tráfico de drogas. Grande parte dos envolvidos em homicídios, vítima e executor, tem fixa na polícia, ou seja, antecedentes criminais. Muitos dos crimes ocorrem em bairros marcados pela violência. Ou seja, a morte é anunciada.
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Podemos colocar mais um ingrediente nestes números. O tráfico de drogas, que movimenta a maioria dos crimes, alimenta um consumidor de classe A e B. Ou seja, os mais ricos são os maiores compradores de drogas. Logo, por esta lógica, as mortes na região de Maringá são consequência da alimentação da cidade com mais renda com seus viciados.

Não por acaso, os furtos são maiores, numericamente, em Maringá do quem em Sarandi e Paiçandu. A cidade com melhor renda atrai aqueles que buscam algo para trocar pelo vício. Os ricos podem comprar suas drogas com dinheiro lícito, os miseráveis dependentes necessitam do dinheiro ilícito para alimentar o seu vício.

Logo, ambientes diferentes entre Maringá, Sarandi e Paiçando. Insegurança maior com perfil claro e lógico. A violência entre as cidades conurbadas é integrada. A riqueza e a pobreza se associam na produção da vida e também da morte.


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