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Segurança Feudal


Queremos segurança? Claro que sim. Um dos princípios da liberdade é ter a certeza da garantia de seus direitos. Porém, a desigualdade pode ser uma ameaça a quem busca o direito de ir e vir. O encontro entre ambientes separados por um abismo nas condições de vida ameaça a liberdade e exigem cada vez mais da segurança.
Para um Estado falido, a regionalização da segurança acaba se transformando em solução. Cada vez mais o aparato enfraquece sua capacidade de ação diante da sofisticação do poder de ação dos criminosos. As guardas municipais crescem em um ambiente de economia mundial e de problemas locais.

Enquanto alguns, poucos, circulam pelo mundo livremente por causa de seu poder de consumo, outros transitam como andarilhos esperançosos em chegar a “terra prometida” que nunca chega. Há, também, uma pilha de seres humanos que não saem do lugar. Admiram os que podem se mover e estão imóveis diante da realidade que vivem, ou melhor, sobrevivem.

Quando se instala uma guarda municipal o poder de repressão se regionaliza. A garantia de segurança se estabelece com fronteira determinada. Ir e vir com garantias estão no limite onde o poder regional garante as condições de serviços. Logo, a liberdade se dissipa. Ela fica sequestrada ao lugar.

Estamos vivendo uma contradição. Por um lado a economia global é sentida nas coisas, nos objetos, no capital que circula intenso. Mas as pessoas não. Nem todos podem circular. Os que insistem em se colocar em movimento sem serem turistas e bons consumidores não são bem vindos. São afetados pelos motivos locais, seja os que os expulsam ou os que os recebem sempre com um olhar de suspeita e rejeição. As guardas municipais tendem a reprimir constantemente este estranho.


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