Drogas e Violência


Será que vamos ter a capacidade de compreender a violência no Brasil em toda a sua dimensão e complexidade? Temo que não. Por isso, muitas vezes, a maioria da população vê como solução para combater a criminalidade exclusivamente a repressão, o uso do aparato de segurança.
Parte considerável dos homicídios, em média, segundo o Mapa da Violência, 70% dos assassinatos no país está ligada ao tráfico de drogas. No caso de furtos e roubos o percentual é maior. Logo, o combate ao tráfico é fundamental para podermos reduzir o ambiente de “guerra civil” que já perdura no país há décadas. Lembrando que a violência de uma forma geral já está presente desde a formação da sociedade brasileira. O Brasil não é um país pacífico com “dizem”, mas esta é outra história.

Quando falamos do tráfico de drogas e dos entorpecentes, precisamos analisar como um comércio internacional organizado em com uma fabricação e distribuição cada vez mais eficiente. Um levantamento feito pelo Centro Internacional para a Ciência em Políticas de Drogas, mostra que o preço, qualidade e distribuição ficaram mais ágeis nos últimos 40 anos. Drogas acessíveis e chegando rápido.
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Os que oferecem drogas não estão somente nas chamadas “más companhias”. O bom amigo ou amiga, a namorada ou o namorado, o parceiro fiel e o profissional acima de qualquer suspeita podem ser usuários. A imagem que constituímos do dependente é quase sempre do marginal envolvido com o tráfico e em condição de risco. Doce ilusão, mais de 75% dos usuários de drogas são das classes A e B.

Os mais ricos são os que compram mais drogas. Eles são clientes fiéis, pagam a vista, não se endividam e por isso, são bem atendidos. O crescimento do consumidor está relacionado diretamente com o aumento do fornecimento.

Se quisermos combater o tráfico de drogas e reduzir significativamente a violência, temos que levar estes dados em consideração. Caso não se pense a complexidade do tráfico de drogas e sua relação com a violência, nós vamos continuar assistindo um grande número de mortos, enfiados em uma guerra civil permanente, sem fim e sem lógica.
 

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