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Mostrando postagens de Março, 2018

Renascer: ir além de si

Estamos na celebração da Páscoa, uma das mais importantes datas para os cristãos. O significado é renascer. A vida é eterna, nós não. Porém, a eternidade é uma busca em uma vida só. Mas há eternidade na vida. Ela continuará, além de nós, além dos nossos dias. Por isso, temos que aprender a renascer. O maior desafio de quem vive é saber aprender a renascer em tempo limitado. Temos que aprender a morrer e se refazer. Mais que isso, aprender que há uma vida além de nós. A eternidade é uma busca, mas não há garantia. Se existir, irá depender de nossa capacidade de renascer.
Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui.
Quero aproveitar a data comemorativa cristã, a Páscoa, que na sua origem vai além do cristianismo, para falar da temática principal destes dias, o renascimento. A preservação da vida. Saber que amanhã tudo pode mudar. Mudamos ao longo do tempo, mas o tempo segue.
Não sou religioso, não frequento templos e nem tenho a fé que muitos têm ao meu lado, intensamente. Admiro …

Árvore é cultura

A cultura está em nós. Ela nos identifica. Nem sempre percebemos a sua importância, nem sempre a notamos. Porém, sem ela, não seríamos identificados como seres que cultivam na vida algo que irá dar significado a nossa existência. Em visita a Maringá, o ex-secretário do Ministério da Cultura Célio Turino falou sobre a gestão cultural e usou as árvores de Maringá como exemplo. Para ele, a cultura é, também, algo permanente. Deve ser cultivada como a agricultura, todos os dias. Turino se encantou com a arborização da cidade e afirmou que, segundo o olhar de um visitante, a cidade e seus cidadãos não podem ser pensados sem as árvores. Mas será que o cidadão maringaense pensa isso?
A cultura impregnada não é percebida de forma consciente. Se consciente, muitas vezes, não colocada no lugar devido. As árvores de Maringá são muito importantes, vitais, são parte de nossa identidade, mas não tratadas com o respeito que merecem. Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui. Na ironia típica d…

Ideologia x Demagogia

Quando vamos entender que os problemas que envolvem a sociedade brasileira não se resolvem de forma simples. Não há milagre. Para se entender a complexidade das questões sociais é necessário ter lógica e profundidade racional. A ideologia é uma demonstração deste entendimento. Porém, não é ela que orienta nossos atos. Abrir o jornal e ler sobre o prefeito de São Paulo, João Dória, falando do vice-governador paulista, Márcio França, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), chamando de esquerdista, é no mínimo uma piada. Ofensa ideológica é elogio em um país cujo poder é fundado no personalismo e não em uma percepção sobre a ordem social e econômica mais profunda. O próprio Dória deveria olhar para o próprio umbigo ou partido.
O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), sigla que Dória tem como agremiação, tem sua definição ideológica como “centro-esquerda”. Nascida da percepção do Estado como agente principal da ordem social e do equilíbrio entre o interesse privado e público. Os…

Guerra Civil Urbana e Permanente

A morte de Marielle Franco chocou o país. Eliminar o opositor é uma prática antiga. Regimes autoritários fazem isso. Na história dos regimes ditatoriais brasileiros esta era uma prática oficial ou oficiosa. Calar a voz não cala o problema, mas intimida quem tenta denunciar que estamos em uma “guerra civil” sem fim. A vereadora, defensora de minorias e vulneráveis, foi eliminada por que incomodava. A quem? A quem se alimenta de uma guerra permanente que tem seus benefícios. A insegurança gera benefícios. Os beneficiários são traficantes, criminosos e membros corrompidos do aparato de segurança. A guerra dá função aos que jamais desejam paz.
Esta mesma guerra permanente elimina possibilidades, mas gera medo. O medo sequestra pessoas, empresas, a vida. Se quiser viver em um ambiente de conflito tem que se submeter aos senhores do poder, chefes das milícias, com ou sem farda. O Rio de Janeiro tem um passivo social imenso e disponível para ser usado e abusado pela violência. Para ouvir com…

Sul rejeita Lula, por que?

A partir desta segunda-feira o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva irá fazer uma peregrinação política no Sul do país. O carismático, amado e odiado ex-presidente vem para a região onde sempre teve um número menor de votos. Tanto ele quanto seu partido. O que traz Lula aqui? Há inúmeras versões, talvez todas pudessem ser validas. Uma é a busca de apoio político para sua candidatura. Também, conta tentar sensibilizar a opinião pública contra uma possível condenação do Judiciário. O que muitos consideram é uma causa perdida. Porém, há quem aposta em provocação. Passear pelo reduto político de Sérgio Moro, trafegar pelo ambiente onde se localiza o que ele chama de “República de Curitiba”.
O Sul nunca foi reduto da esquerda. Ela já venceu aqui, mas nunca foi uma tradição na escolha política da maioria da população. Se há quem elege, os que repudiam também representam muitos. Acredito que há pouca dependência do assistencialismo público seja uma resposta.
Temos que recorrer, mais uma…

Fábrica Mundial

No mundo das coisas que nos rodeiam há, em muitas delas, uma complexidade na cadeia de produção. O que dá vida aos objetos de consumo e as serviços associados a empresas internacionais, uma rede mundial de produção existe. Integrada e desmembrada, ao mesmo tempo em que pulsa na geração das coisas, particulariza as consequências de sua existência.
Enquanto centros avançados de tecnologia, de controle financeiro e de qualificação de pessoas apresentam ambientes favoráveis a população, outras regiões demonstram uma precariedade a população que serve como mão de obra para a rede mundial de produção. Para populações desqualificadas a possibilidade de um trabalho na cadeia mundial é a solução vital e não ideal para a sobrevivência.
Trabalhadores chineses ou indianos tem sido o exemplo mais comum dos ambientes de trabalho intenso e desgastante para a fabricação de bens de consumo internacionais. Paralelamente e integrada a cadeia produtiva, os avanços técnicos se expressam em produtos que s…

A Voz do Brasil e o ouvido dos brasileiros

Há uma diferença entre o que se quer comunicar e o que se quer ouvir. Na democracia, o direito de ouvir é o mesmo de se pronunciar, porém, a concordância entre as partes é fundamental. Imposição aos ouvidos fere. Ainda mais quando o conteúdo não expressa a verdadeira face de quem fala.
A Voz do Brasil, programa criado pelo regime varguista, inicialmente como a “Hora do Brasil”, sempre imperou no rádio brasileiro em um dos horários mais nobres, das 19h às 20h. Nada poderia ser feito. Ou escuta ou desliga.
Mas a origem dos atos sempre ajuda a entender sua intenção. Quando criada, na Era Vargas, em 1935, atendeu aos interesses de uma política de propaganda pública eficiente para um regime que pretendia ser absoluto. Getúlio não estava sendo original em suas medidas. O regime fascista italiano e o nazista alemão, contemporâneos do governo Vargas, já tinha mostrado o caminho das pedras. A manipulação dos meios de comunicação de massa. Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui. A idei…

Sem Futuro

Como será o futuro? Temos que ter otimismo, mas temos que construir um mundo melhor. Para ser melhor é necessário encarar nossos problemas, de frente. Os jovens estão ameaçados. Eles podem ter um ganho menos que o dos pais. Por isso, devemos incentivar a qualificação já. O futuro é algo a se temer. Ao observarmos os números de jovens qualificados no Brasil e que estão aptos a ingressarem no mercado de trabalho há com o que se preocupar. Hoje, segundo o Banco Mundial, um em cada dois jovens brasileiros não é capaz de aproveitar as oportunidades do mercado de trabalho, não estão qualificados.
Não podemos esquecer que são os jovens que mais sofrem com o desemprego. São 30% deles nesta condição, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A baixa qualificação fragiliza o futuro da mão de obra e afasta investimentos. O preço de qualificar fica cada vez mais caro conforme a idade avança.
Entre os jovens mais pobres a condição de qualificação é ainda pior. O ambiente econômico, …

Violência repele investimentos e educação repele violência

Não há espaço para a violência onde há educação. O sentido da vida ainda é a resposta para combater a criminalidade. Podemos repreender e ter resultados imediatos. Porém, a violência sempre volta. O ambiente de agressividade nunca é desfeito, isto é o que move a criminalidade. 
Se queremos reduzir a violência, qual a alternativa? Para muitos é o investimento no aparato de segurança. Aumentar o policiamento, prender e repreender. Será? É importante refletir.
Nós podemos reduzir a violência por um determinado tempo com a repressão. Conter o crime em um ambiente repressivo funciona temporariamente. Mas a condição de miséria e falta de perspectiva acaba por vencer a repressão. A violência sempre volta, ela faz herdeiros. Para conter a violência é preciso fazer mais. Maringá, Sarandi e Paiçandu podem ter uma integração dos aparatos de segurança públicos. A Polícia Militar, Polícia Civil e Guardas Municipais poderão agir em conjunto e trocar informações para conter a violência em um ambien…

Mulher, qual a diferença?

As mulheres são vítima de violência no Brasil. Isto é um fato. O patriarcalismo, o machismo, se mantém. Naturalizado, como um discurso a ser cumprido. A preservação do que não se sustenta, este é o destino do decadente mando masculino. No site Observatório da Mulher, do Senado Federal, percebe-se que quanto mais idade, mais violência a mulher sofre. A trajetória de agressão vai da psicológica a física. Em relação a primeira, pelo menos metade das mulheres já sofreram (48%). Uma em cada dez mulheres já sofreram violência sexual. A maioria das agredidas, quase 70%, é negra ou parda.
Porém, onde está o vilão? O ambiente doméstico é onde ocorre a maioria dos casos de agressão. O parceiro, o pai, o irmão ou o amigo. Aquele que está próximo e diz amar pode matar, magoar, fazer sofrer, agredir. Por que nos sujeitamos?
As coisas estão mudando e vão mudar mais. Elas já são a maioria dos universitários, são quem menos abandonam a educação em todos os níveis. Avançam no mercado de trabalho. Se…

Problema público e solução voluntária

O Estado está decadente. Demonstra claramente a dificuldade de manter os serviços públicos ao qual prometeu cumprir quando emergiu como o agente de garantias sociais. Aquele que denominamos “Estado de Bem-Estar” agora busca a iniciativa privada para garantir o básico. Será que estamos vivendo o “Estado de Filantropia”?

O vereador Odair Fogueteiro, da Câmara de Vereadores de Maringá, comemora a aprovação de projeto que permite o município fazer um contrato de prestação de serviço com médicos voluntários. Aprovado na câmara em primeira discussão, o projeto espera a sansão do prefeito.
O parlamentar argumenta que a saúde é carente e que terá neste voluntariado um grande ajuda. O principal argumento é de que os profissionais querem retribuir com trabalho o que um dia fizeram por ele. O sacrifício de se formar retribuído depois de formado.
Esta busca de associar a filantropia, o voluntariado, aos serviços públicos é uma tendência. O estado vai abrindo mão de uma obrigação e vai entregand…

O que será do corredor?

Todo o primeiro passo gera resistência. Mas sempre é bom apostar no começo. Ter paciência e focar em um futuro em que o transporte coletivo, a bicicleta e, principalmente, o pedestre, serão prioridade. Começa a funcionar hoje o corredor de ônibus da Avenida Morangueira. É o primeiro passo para uma série de obras, algumas em andamento, para a tão declamada integração de modais. Coroada com a construção, ainda sem data para acabar, do terminal intermodal. Ao final, esta obra pode iniciar uma nova história do transporte coletivo na cidade.
Novos ônibus, que atendem a exigências da prefeitura de Maringá para a empresa TCCC também entraram em circulação. O que é um ponto fundamental para gerar atração da população sobre o transporte coletivo. Na guerra entre os carros e os demais modais pode ter neste corredor da Avenida Morangueira uma batalha vencida pelo transporte coletivo. Para ouvir o comentário sobre o tema, clique aqui. Outras medidas devem ser pensadas e praticadas para esta trans…

A falta de um “não”

Na sociedade marcada pelos excessos, a falta de um "Não" é sentida. Dizer para o outro que ele deve ter limites. Educá-lo para aprender que a vida em sociedade implica em refletir sobre as consequências do ato. Quando o "Não" falta na educação as consequências são desastrosas. A palavra parece uma derrota, “Não”. Para muitos é o sinônimo do fracasso, do não amor. Associada constantemente a frustração. Porém, ela é fundamental para dar a todos um limite. Quantas vezes o “Não” salva. Tão necessária como um “Sim” e, talvez, com algo a mais, a possibilidade de dar as pessoas o senso de realidade.
Ontem, o ex-deputado estadual Carli Filho foi condenado a 9 anos e quatro meses de prisão por ter provocado um acidente em Curitiba, em alta velocidade e embriagado, que levou a morte de dois jovens. O acidente causou um choque e comoção. Acabou por simbolizar os excessos cometidos e a busca por justiça. Mas o caso é uma expressão de algo cotidiano, marcado pela história, cr…