A falta de um “não”


Na sociedade marcada pelos excessos, a falta de um "Não" é sentida. Dizer para o outro que ele deve ter limites. Educá-lo para aprender que a vida em sociedade implica em refletir sobre as consequências do ato. Quando o "Não" falta na educação as consequências são desastrosas.
A palavra parece uma derrota, “Não”. Para muitos é o sinônimo do fracasso, do não amor. Associada constantemente a frustração. Porém, ela é fundamental para dar a todos um limite. Quantas vezes o “Não” salva. Tão necessária como um “Sim” e, talvez, com algo a mais, a possibilidade de dar as pessoas o senso de realidade.

Ontem, o ex-deputado estadual Carli Filho foi condenado a 9 anos e quatro meses de prisão por ter provocado um acidente em Curitiba, em alta velocidade e embriagado, que levou a morte de dois jovens. O acidente causou um choque e comoção. Acabou por simbolizar os excessos cometidos e a busca por justiça. Mas o caso é uma expressão de algo cotidiano, marcado pela história, crescente na atualidade.
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Na Roma Antiga, na fase do auge das conquistas da fase republicana e imperial, filhos dos senadores romanos usavam suas bigas para tirarem racha pelas vias estreitas. Não era incomum um atropelamento, quase sempre de alguém da plebe. Em um gesto de poder e desprezo, o filho do rico e poderoso personagem do senado jogava moedas sobre o corpo da vítima e saía, sem culpa.

Por isso, alguns problemas sociais ainda são filhos do excesso, o excessivo. Temos que refletir sobre a importância do “Não”, de dar um limite. Quanto mais cedo melhor. Saber que educar, que tantos consideram uma resposta para tantos problemas, começa em casa. E dar limites, dizer “Não”, não é desamor, desprezo, mas uma frustração necessária.

Quantas tragédias, quantas mortes irreparáveis, poderiam ser evitadas. Tudo porque faltou “Não” na criação dos que crescem em meio aos filhos da exceção da riqueza, em meio ao excesso, se tornam excessivos. Lembre-se sempre da importância do “Não”.


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