Pular para o conteúdo principal

A Voz do Brasil e o ouvido dos brasileiros



Há uma diferença entre o que se quer comunicar e o que se quer ouvir. Na democracia, o direito de ouvir é o mesmo de se pronunciar, porém, a concordância entre as partes é fundamental. Imposição aos ouvidos fere. Ainda mais quando o conteúdo não expressa a verdadeira face de quem fala.

A Voz do Brasil, programa criado pelo regime varguista, inicialmente como a “Hora do Brasil”, sempre imperou no rádio brasileiro em um dos horários mais nobres, das 19h às 20h. Nada poderia ser feito. Ou escuta ou desliga.

Mas a origem dos atos sempre ajuda a entender sua intenção. Quando criada, na Era Vargas, em 1935, atendeu aos interesses de uma política de propaganda pública eficiente para um regime que pretendia ser absoluto. Getúlio não estava sendo original em suas medidas. O regime fascista italiano e o nazista alemão, contemporâneos do governo Vargas, já tinha mostrado o caminho das pedras. A manipulação dos meios de comunicação de massa.
Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui.
A ideia de Getúlio era garantir o contato com parte considerável da população brasileira, analfabeta, mas de ouvidos abertos. Um ato de doutrinamento e sedução pelo líder patriarca. Era o nascimento do populismo ardiloso e maniqueísta. A afirmação e consolidação da ideia de que o povo se encontrava desamparado e precisava de um “pai dos pobres”, de um “salvador da pátria”. Não por acaso esta lógica torpe e congelante ainda está hoje presente nos políticos populistas e populescos herdeiros da prática varguista.

Com a flexibilização da Voz do Brasil, que pode ser sancionada pelo presidente Temer, caminhamos para democratizar ainda mais os meios de comunicação. Avançamos na busca de dar mais liberdade de expressão e opção aos brasileiros. Esperamos que as emissoras aproveitem com qualidade um dos horários mais nobres do rádio, onde grande parte dos brasileiros pode estar de ouvidos abertos. Mas aí, a escolha do ouvinte vai imperar, falar mais auto. E o resultado da escolha será o limite ou não da qualidade de quem escuta e não do autoritarismo de quem que se fazer ouvir.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Paraná não é Maringá

Alimento pela cidade que eu nasci um imenso carinho. Maringá é uma cidade que se fez e se faz. Há realmente um espírito associativo. Ele é ligado ao meio privado, empresarial. Isto é fato. Mas tem um estímulo de organização e representação eficiente. O que faz de Maringá uma cidade diferente. E ela é. Em diversos índices a cidade está entre as melhores do país. Potencial de consumo, o qual é retratado pelo Anuário a Grande Região de Maringá, divulgado a cada dois anos pelo Grupo Maringá de Comunicação. Ele comprova isso. Os dados são levantados pelo IPC Maps. Lembrando que o Produto Interno Bruto da cidade cresce mesmo quando o país não.
O Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá, o Codem, tem investido no planejamento em longo prazo. Agora, o Masterplan aponta para um crescimento até 2047, quando a cidade irá fazer 100 anos. Até agora, o planejamento teve um investimento de R$ 1,5 milhão. E vale a pena. Há muito mais por vir. E ele não tem custo para o poder municipal. O qua…

STF pode fazer justiça e ser inconstitucional

Não se pode ser ingênuo. O país vive uma legislação apartada da população. Para quem a lei vale? Não para todos. E se vale, as brechas na lei somente para alguns. A defesa dos réus permite a liberdade de quem pode recorrer. O julgamento do ex-presidente Lula não é um caso isolado, tem que ser entendido na histórica desigualdade de tratamento pelo poder em relação ao cidadão. A Constituição Federal, humana, permite desumanidades. No país teve inúmeras manifestações contra o ex-presidente Lula, na defesa da prisão em segunda instância e em defesa da Lava-Jato. O país clama por justiça. Mas o que é justo? Quando se pensa na corrupção dos homens públicos e os que deveriam ser presos a injustiça é maior. Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui. O dinheiro desviado por corrupção tira dos cofres públicos recursos vitais para salvar da miséria e da marginalidade muitos. Destes, os que acabam se transformando em bandidos e são presos sem dinheiro para recorrer a todas as instâncias. Q…

Conservadorismo não é nazismo

Vivo em defesa do bom liberalismo e dos bons conservadores. Me incomoda profundamente um país que confunde conservadores com extremismo e neonazismo. Esta defesa do extermínio, da perda de liberdade, da violência que combate a violência. Nada disso tem relação com a conservação das instituições, das leis e da liberdade. Há uma confusão entre a preservação das instituições e o radicalismo que prega o extermínio da oposição ou de tudo o que se opõe. Na limitação de compreender a dinâmica do poder e que fundamenta nossas mazelas, há os radicais que consideram a destruição a melhor saída. Não é! A ousadia é mudar dentro do que se tem de mais precioso, a democracia.
Incrível perceber que radicais desejam o retorno da ditadura. Ao mesmo tempo há os que defendam a eliminação dos políticos de esquerda e, outros, até da própria esquerda. A implantação de um governo autoritário é típica da pobreza submissa do latino-americano. Faz parte das raízes de um continente governado por caudilhos, noss…