Árvore é cultura


A cultura está em nós. Ela nos identifica. Nem sempre percebemos a sua importância, nem sempre a notamos. Porém, sem ela, não seríamos identificados como seres que cultivam na vida algo que irá dar significado a nossa existência.
Em visita a Maringá, o ex-secretário do Ministério da Cultura Célio Turino falou sobre a gestão cultural e usou as árvores de Maringá como exemplo. Para ele, a cultura é, também, algo permanente. Deve ser cultivada como a agricultura, todos os dias. Turino se encantou com a arborização da cidade e afirmou que, segundo o olhar de um visitante, a cidade e seus cidadãos não podem ser pensados sem as árvores. Mas será que o cidadão maringaense pensa isso?

A cultura impregnada não é percebida de forma consciente. Se consciente, muitas vezes, não colocada no lugar devido. As árvores de Maringá são muito importantes, vitais, são parte de nossa identidade, mas não tratadas com o respeito que merecem.
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Na ironia típica destas coisas que acontecem no mundo do jornalismo, Carina Bernardino fez reportagem sobre o prejuízo que as árvores ocasionam na cidade. Segundo o poder municipal, o ano passado foram 129 pedidos de indenização por queda de árvores, gerando um gasto de aproximadamente R$ 600 mil. A cultura tem seu preço.

Segundo a própria reportagem, há árvores condenadas pelo tempo, ou apodrecidas por doença ou morte e maus tratos. A população das árvores precisa de cuidados em sua convivência com os seres humanos. Elas, as árvores, não são nossas inimigas, elas só precisam de cuidados. O prejuízo que causam financeiramente é, na prática, um preço menor perto dos benefícios que trazem.


Nossas árvores precisam ser mais cultuadas, como disse Célio Turino. Nós precisamos perceber sua existência como um valor construído ao longo do tempo. Elas têm uma história longa e permanente com nossa vida. Como seres humanos, em tempos de chuva forte, tempestades, ventos fortes, elas caem, como muitos seres humanos, maus cuidados e desprotegidos.


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