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Fábrica Mundial



No mundo das coisas que nos rodeiam há, em muitas delas, uma complexidade na cadeia de produção. O que dá vida aos objetos de consumo e as serviços associados a empresas internacionais, uma rede mundial de produção existe. Integrada e desmembrada, ao mesmo tempo em que pulsa na geração das coisas, particulariza as consequências de sua existência.

Enquanto centros avançados de tecnologia, de controle financeiro e de qualificação de pessoas apresentam ambientes favoráveis a população, outras regiões demonstram uma precariedade a população que serve como mão de obra para a rede mundial de produção. Para populações desqualificadas a possibilidade de um trabalho na cadeia mundial é a solução vital e não ideal para a sobrevivência.

Trabalhadores chineses ou indianos tem sido o exemplo mais comum dos ambientes de trabalho intenso e desgastante para a fabricação de bens de consumo internacionais. Paralelamente e integrada a cadeia produtiva, os avanços técnicos se expressam em produtos que são os objetos de desejo de consumidores pelo mundo. Poucos podem ter acesso aos benefícios que a tecnologia e a produção trás. Apenas 20% da população mundial tem acesso aos objetos de satisfação requintados das marcas internacionais.

O ambiente encantador e especializado associado a apresentação publicitária dos bens de consumo cercam o consumidor pela emoção. A satisfação do consumo se transforma em um ato de realização pessoal e de destaque social. A certeza ambientada da aquisição apresenta em seu slogan maior e implícito que “não consumir é não existir”.

Não se pode negar a especialidade na busca de atrair o consumidor. A moda, o designer, a arquitetura dos ambientes, a apresentação dos objetos nos seus locais de consumo e as campanhas publicitárias se transformaram em áreas de conhecimento e aprimoramento. A ciência e a tecnologia a serviço do consumo. Não por acaso, o que sustenta a economia mundial é o consumo do supérfluo.

A publicidade é um dos campos centrais, como falamos, na sedução, na ambientação e na sensação de pertencimento humano. Por isso, deve ser vista com atenção. Não pode ser considerado um detalhe. Ela é a arma vital da sobrevivência de um bem de consumo.  As coisas não podem existir, elas precisam ser anunciadas e desejadas.



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