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Guerra Civil Urbana e Permanente




A morte de Marielle Franco chocou o país. Eliminar o opositor é uma prática antiga. Regimes autoritários fazem isso. Na história dos regimes ditatoriais brasileiros esta era uma prática oficial ou oficiosa. Calar a voz não cala o problema, mas intimida quem tenta denunciar que estamos em uma “guerra civil” sem fim.
A vereadora, defensora de minorias e vulneráveis, foi eliminada por que incomodava. A quem? A quem se alimenta de uma guerra permanente que tem seus benefícios. A insegurança gera benefícios. Os beneficiários são traficantes, criminosos e membros corrompidos do aparato de segurança. A guerra dá função aos que jamais desejam paz.

Esta mesma guerra permanente elimina possibilidades, mas gera medo. O medo sequestra pessoas, empresas, a vida. Se quiser viver em um ambiente de conflito tem que se submeter aos senhores do poder, chefes das milícias, com ou sem farda. O Rio de Janeiro tem um passivo social imenso e disponível para ser usado e abusado pela violência.
Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui.
Os territórios nas periferias tem um poder paralelo. Ele se impõe sobre a vida de quem deseja se mover e necessita de deslocar. Sair e entrar de determinadas regiões periféricas requer autorização. É a territorialização urbana. Um poder dentro do poder.

Diferente das inúmeras guerras civis que já existiram na história humana, a que esteamos assistindo em grandes centros, na luta contra o aparato de segurança e o crime organizado, ou não, não terá fim e nada propõe. A sua permanência reside no hábito de se viver para morrer em um conflito que gera benefícios torpes em uma vida curta.

Muitas pessoas morrem em vão na guerra sem ideologia, sem propósito, instintiva e fratricida. A violência não gera paz. Não se combate a agressão intensa e permanente com agressão. Ela só estimula ainda mais o agredido a responder ao agressor com o mesmo nível de truculência. A brutalidade sempre vence em um ambiente de guerra permanente. Temos que lutar contra isso.




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