Problema público e solução voluntária



O Estado está decadente. Demonstra claramente a dificuldade de manter os serviços públicos ao qual prometeu cumprir quando emergiu como o agente de garantias sociais. Aquele que denominamos “Estado de Bem-Estar” agora busca a iniciativa privada para garantir o básico. Será que estamos vivendo o “Estado de Filantropia”?


O vereador Odair Fogueteiro, da Câmara de Vereadores de Maringá, comemora a aprovação de projeto que permite o município fazer um contrato de prestação de serviço com médicos voluntários. Aprovado na câmara em primeira discussão, o projeto espera a sansão do prefeito.

O parlamentar argumenta que a saúde é carente e que terá neste voluntariado um grande ajuda. O principal argumento é de que os profissionais querem retribuir com trabalho o que um dia fizeram por ele. O sacrifício de se formar retribuído depois de formado.

Esta busca de associar a filantropia, o voluntariado, aos serviços públicos é uma tendência. O estado vai abrindo mão de uma obrigação e vai entregando para a iniciativa privada o que é sua obrigação. O que parece ser um “socorro” da sociedade civil é uma transferência de obrigação. Não se critica quem deseja ser voluntário, mas sim a ineficiência pública. Há algo maior por de trás disso.


Por mais que seja bem intencionada a intenção de quem pratica a filantropia, a ajuda, o apoio privado as obras do estado. Retira-se a controle da política da lógica pública para a privada. Para quem considera a lógica privada eficiente, é fantástico, mas reduz o poder de interferência do poder público em condições extremas. Quem paga a conta tende a escolher ou ter influência sobre o cardápio.

Logo, tem méritos à ajuda, o voluntariado. Porém, é bom entender que esta tendência vai aos poucos demonstrando o recuo do poder público e sua capacidade de gerenciar as carências sociais. Quanto mais se atende problemas públicos por ações privadas, mesmo voluntária, há um enfraquecimento público.



Comentários

  1. Boa noite Gilson. Estaria o Estado /município querendo dividir a sua incompetência administrativa ? No mais, será que o nobre vereador teria coragem de criar um projeto de filantropia para que sejam substituídos vereadores muito bem remunerados por nobres cidadãos filantrópicos dispostos a servir a sociedade sem remuneração!!

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