Sul rejeita Lula, por que?



A partir desta segunda-feira o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva irá fazer uma peregrinação política no Sul do país. O carismático, amado e odiado ex-presidente vem para a região onde sempre teve um número menor de votos. Tanto ele quanto seu partido.
O que traz Lula aqui? Há inúmeras versões, talvez todas pudessem ser validas. Uma é a busca de apoio político para sua candidatura. Também, conta tentar sensibilizar a opinião pública contra uma possível condenação do Judiciário. O que muitos consideram é uma causa perdida. Porém, há quem aposta em provocação. Passear pelo reduto político de Sérgio Moro, trafegar pelo ambiente onde se localiza o que ele chama de “República de Curitiba”.

O Sul nunca foi reduto da esquerda. Ela já venceu aqui, mas nunca foi uma tradição na escolha política da maioria da população. Se há quem elege, os que repudiam também representam muitos. Acredito que há pouca dependência do assistencialismo público seja uma resposta.

Temos que recorrer, mais uma vez e quase sempre, as nossas origens. O poder tem sua construção no Brasil. À origem estatizante e autoritária, quase sempre estas características estão juntas, ajudam a entender a formação de uma nação que foi fundada no decreto do poder, pela força repressora do estado. As ditaduras nos acompanham desde a origem.

O mando impositor e pouco representativo faz de personagens políticos os símbolos da governabilidade e os senhores do estado. Muitos confundem governo e estado. Um absolutismo nos trópicos que tem uma origem assistencialista. Lembro-me, com isso, que a monarquia tinha suas práticas filantrópicas. O imperador D. Pedro II costumava dar comida aos pobres em um evento palaciano e deixar que moradores de rua morassem em suas propriedades.
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Enquanto isso, ao longo de nossa longa história agrária, os patriarcas agrícolas submetiam a população através de proteção aos que lhe obedeciam e repressão, extermínio muitas vezes, aos que se opunham. Assim se fez no exercício do poder. Mesmo depois dos governos fundados na vida urbana.

Mesmo os que prometiam libertar o povo da opressão os oprimiam. A liberdade nunca foi um fato, mas uma retórica. O assistencialismo ao longo do tempo gerou vícios. Depender da assistência pública é uma prática histórica e enraizada. Um hábito, um vício, uma prática que atende ao mandatário e elimina a força do mandado.

Não sou um defensor do separatismo. Não considero que somos eleitos por vivermos no Sul do país. Nem que aqui, na “parte de baixo”, as coisas são melhores que lá em cima. Isto é ridículo. Apenas, temos uma iniciativa privada mais eficiente e ativa. O trabalho gerou riqueza aqui e permitiu emergir uma população mais consciente ou eficiente, produtiva. Isto não é genético, é histórico.

Temos que dar as pessoas o poder de decidir suas próprias vidas. Não depender de “bolsas” e subsídios da miséria. Temos que educar os brasileiros para a produtividade e não se apoderar da pobreza como um capital político para eleger parasitas públicos. Precisamos ter a independência de não depender do poder público para poder exigir dele que nos represente e não nos sustente, muitos, sempre na miséria.  



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