Mercado não se regula



Um dia vamos perceber que a retórica de defesa do miserável é, quase sempre, discurso de quem deseja mantê-la. A miséria sustenta a acessibilidade ao poder dos que tem no paternalismo a forma de se fazer na vida pública. A esquerda latino-americana, carregada de um discurso religioso, busca encobrir com a santificação a falácia da proteção. A injustiça deve permanecer, o injustiçado deve manter-se, assim se mantém a lógica perniciosa do autoritarismo dos falsos “salvadores da pátria” com suas “botinas” sobre o povo miserável.
Maringá acumula índices de qualidade de vida e potencial de consumo. O potencial da cidade está na 41ª posição no ranking nacional, segundo a IPC-Maps. Ainda com dados deste instituto, a cidade movimentou no ano passado mais de R$ 13 bilhões. E este ano tem a possibilidade de aumentar este potencial em 10%. Vale lembrar que o consumo em Maringá envolve também moradores de outras cidades. Quem quer segurar este crescimento?

A Câmara de Vereadores de Maringá tem se empenhado em viver do imediatismo, do impacto que a abertura dos supermercados aos domingos e feriados trás para o comércio nos bairros. Grande maioria dos pequenos comércios é familiar. Pai, mãe e filhos que não tem final de semana, vivem do comércio local. O estabelecimento estagnado e com poucos recursos para atender as necessidades imediatas do bairro, quando tem funcionários é com baixos salários. Realidade que não muda há tempos. Mas para alguns parlamentares a miséria familiar é fraterna.
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Já o consumidor quer o melhor. Deseja benefícios em produtos e serviços que vão da qualidade ao preço, ambiente de consumo e tratamento diferenciado. Tudo o que o pequeno comerciante raramente se preocupa, afinal, com o fechamento dos mercados aos domingos, o seu consumidor está “sequestrado”. Ele não tem opção. O direito de poder comprar o produto que deseja está impedido, mesmo que tenha quem queira vender.

Hoje, na Câmara de Vereadores, às 19h, mais uma sessão para discutir a regulamentação da abertura dos supermercados aos domingos. A medida pode ganhar duas emendas. Duas delas são mais polêmicas. Uma deseja a liberdade de negociação entre patrões e empregados para negociar as condições de abertura, dia e horário. A segunda deseja dar ao executivo o poder de intermediação. A tirada dos sindicatos das negociações também gera polêmica.
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O que se quer, segundo alguns vereadores, é proteger o trabalhador. A velha retórica da vitimização do assalariado diante dos patrões maldosos e exploradores. O trabalho deixa de ser oportunidade e vira exploração no discurso esquerdizante do marxismo canhestro e populista de quem se sustenta da miséria permanente. Isto tem nome, “falsa filantropia”. A liberdade implica em força de negociação. A necessidade do trabalho e a qualificação do trabalhador fazem diferença. Acaba com as vítimas e dependentes, gera produtividade e melhora a qualidade de vida. Para que impedir isso?


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