Pular para o conteúdo principal

O que fazer com o passivo social?



Temos um imenso passivo social no país. Ele cresce constantemente e exponencialmente. Difícil saber quantos vão fazer parte da miséria amanhã. Porém, há a certeza que não serão poucos. Estamos comprometendo o futuro. Em muito pelo amor ao imediato. Como ter garantias? Elas não existem. São construídas no presente, não vem com o tempo.
A Secretaria de Assistência Social e Cidadania irá se reunir, na próxima sexta-feira, com o Comitê Intersetorial da Política Municipal para a População em Situação de Rua Cláudio Lopes. Junto com o Ministério Público se quer enfrentar a questão dos moradores de rua, das pessoas me condição de marginalização e que vivem nos “porões” da cidade. Elas incomodam quando emergem. Tiram, como os índios pedindo dinheiro e vendendo artesanato nos sinaleiros, a harmonia do ambiente ideal, seguro, que buscamos em nossa vida condominial.

A grande questão é: “Devemos ajudá-los a superar a miséria ou retirá-los diante de nossos olhos?”. Para os mais humanos a primeira; Para os higienizadores urbanos a segunda. Porém, para cada resposta uma medida diferente. Se queremos ajudá-los a sair da condição marginal, é necessário uma política pública voltada para o futuro. Qualificação e acompanhamento para não retornarem a condição de rua. E vale lembrar que muitos já se habituaram a isso, retornam quando retirados. Já no caso dos índios, há uma questão cultural, profunda, na raiz de sua conduta. Sua relação com espaço, ambiente privado ou público é diferente.

Aí entram em cena os higienizadores, os que estão longe de entender a cultura, o passivo social e falta de perspectiva diante de uma sociedade que aprimora as relações produtivas. Esta falta de produtividade expurga em uma velocidade gritante. Parte considerável dos que estão nas ruas não tem qualificação mínima para superar a marginalidade. Diante desta complexidade, maior que o desejo de viver em paz, é melhor empurrar o miserável para longe ou para baixo do tapete. A intolerância aos que não se encaixam aos padrões da “cidade perfeita” leva a política do extermínio e exclusão.
Para ouvir o comentário sobre este tema, clique aqui.
O passivo social que administramos hoje tem história, vem das grandes mudanças nos ciclos econômicos e sociais brasileiros. Se expressa no êxodo rural em seus dois grandes momentos, o final da escravidão, no Século XIX, e a revolução agrícola, mecanização, com a saída de uma grande leva de trabalhadores rurais, já no Século XX. Não fizemos a lição de priorizar o futuro, pensamos no imediato. A desigualdade se perpetuou e a solução escorreu pelo ralo do tempo.  

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Paraná não é Maringá

Alimento pela cidade que eu nasci um imenso carinho. Maringá é uma cidade que se fez e se faz. Há realmente um espírito associativo. Ele é ligado ao meio privado, empresarial. Isto é fato. Mas tem um estímulo de organização e representação eficiente. O que faz de Maringá uma cidade diferente. E ela é. Em diversos índices a cidade está entre as melhores do país. Potencial de consumo, o qual é retratado pelo Anuário a Grande Região de Maringá, divulgado a cada dois anos pelo Grupo Maringá de Comunicação. Ele comprova isso. Os dados são levantados pelo IPC Maps. Lembrando que o Produto Interno Bruto da cidade cresce mesmo quando o país não.
O Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá, o Codem, tem investido no planejamento em longo prazo. Agora, o Masterplan aponta para um crescimento até 2047, quando a cidade irá fazer 100 anos. Até agora, o planejamento teve um investimento de R$ 1,5 milhão. E vale a pena. Há muito mais por vir. E ele não tem custo para o poder municipal. O qua…

STF pode fazer justiça e ser inconstitucional

Não se pode ser ingênuo. O país vive uma legislação apartada da população. Para quem a lei vale? Não para todos. E se vale, as brechas na lei somente para alguns. A defesa dos réus permite a liberdade de quem pode recorrer. O julgamento do ex-presidente Lula não é um caso isolado, tem que ser entendido na histórica desigualdade de tratamento pelo poder em relação ao cidadão. A Constituição Federal, humana, permite desumanidades. No país teve inúmeras manifestações contra o ex-presidente Lula, na defesa da prisão em segunda instância e em defesa da Lava-Jato. O país clama por justiça. Mas o que é justo? Quando se pensa na corrupção dos homens públicos e os que deveriam ser presos a injustiça é maior. Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui. O dinheiro desviado por corrupção tira dos cofres públicos recursos vitais para salvar da miséria e da marginalidade muitos. Destes, os que acabam se transformando em bandidos e são presos sem dinheiro para recorrer a todas as instâncias. Q…

Conservadorismo não é nazismo

Vivo em defesa do bom liberalismo e dos bons conservadores. Me incomoda profundamente um país que confunde conservadores com extremismo e neonazismo. Esta defesa do extermínio, da perda de liberdade, da violência que combate a violência. Nada disso tem relação com a conservação das instituições, das leis e da liberdade. Há uma confusão entre a preservação das instituições e o radicalismo que prega o extermínio da oposição ou de tudo o que se opõe. Na limitação de compreender a dinâmica do poder e que fundamenta nossas mazelas, há os radicais que consideram a destruição a melhor saída. Não é! A ousadia é mudar dentro do que se tem de mais precioso, a democracia.
Incrível perceber que radicais desejam o retorno da ditadura. Ao mesmo tempo há os que defendam a eliminação dos políticos de esquerda e, outros, até da própria esquerda. A implantação de um governo autoritário é típica da pobreza submissa do latino-americano. Faz parte das raízes de um continente governado por caudilhos, noss…