Venceu o populismo e perda de tempo



Há quem se disponha a resolver problemas, também os que se alimentam deles. Na política esta lógica é comum. Sempre haverá os miseráveis e eles são necessários para quem defende suas causas que nunca se resolvem. Se um dia superarmos a miséria, o que será dos que vivem da exploração política dos miseráveis?
Em sessão realizada ontem a noite, a Câmara de Vereadores de Maringá, aprovou o projeto que regulamenta a abertura dos supermercados e hipermercados aos domingos. Agora, a autorização para a abertura dependerá da autorização do executivo municipal. Negociação que podem ser feita com os sindicatos que representam os interessados, patrões e empregados.

Uma medida populista sem compromisso com o futuro. A questão é não perder a imagem da bondade com quem passa por apertos imediatos, mas não será salvo ao longo do tempo. Os vereadores aprovaram uma lei que evita a realidade e promove a falsa ideia da garantia temporária de sobrevivência, sem perspectiva de vida longa. Os pequenos mercados não vão conseguir manter-se sem se reinventar. Eles não têm futuro. Isto é que está em jogo.

Uma política de concorrer com qualidade e promover oportunidades e diferenciais é a saída. Não a demagogia profética que acaba no “deus nos acuda”. Salvamos hoje e prorrogamos o sofrimento. Amanhã, sem mudar, acomodados, os pequenos comerciantes vão definhar. Além disso, tem um consumidor disposto e querendo qualidade. Além de pagar preços justos. Nos mercados os produtos são mais caros que nos supermercados.  
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A pesquisa feita pela Consultoria Júnior da UEM, usada para defender o projeto de regulamentação de abertura dos supermercados aos domingos e feriados, tem números interessantes. Descreve a realidade dos pequenos comércios nos bairros. Empresas familiares, com baixa estrutura de atendimento, pouco diferencial e vendendo produtos simples, a maioria produtos de mercados, frutas e verduras. Nestes locais, consumir não atrai nem distrai.

Já, os dados apresentados pelos representantes dos supermercados e hipermercados tem ao seu lado um ambiente de consumo atrativo. Uma variedade de produtos. Consumir nestes locais é uma diversão, uma distração, um passeio, típico de domingos e feriados. Este é o desejo do consumidor, um diferencial no consumo. Isto faz com que as pessoas prefiram um lugar a o outro. Por isso, mercados investem em inovação.

O comércio nos bairros tem que se reinventar. Os bairros precisam ser ambientes atrativos. Uma política de qualidade nos ambientes onde os mercados atuam ajudaria a atrair consumidores. Mas isto envolve comprometimento dos micro e pequenos empresários, do poder municipal e de uma política séria e eficiente de qualificação. O Sebrae está aí para isso, deve ser chamado para esta discussão. Esta é a saída. Não a política populista e imediatista que assistimos. Não resolve, remedia. Não gera futuro, mas perda de tempo.

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