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Mostrando postagens de Maio, 2018

Descontentamento privado e ação coletiva

Entre o descontentamento da população, a vida privada e a impopularidade do presidente da república, a manifestação dos caminhoneiros ganha a proporção de um movimento desgovernado. O que explica o momento que estamos vivendo? O governo atende as reivindicações dos caminhoneiros, mas eles não voltam a atividade, ou pelo menos parte deles. Ainda há bloqueios e manifestações nas rodovias. Inclusive, agora pela manhã, com ações da Polícia Militar para desfazer alguns destes bloqueios nas rodovias. Com entender?
Podemos começar pela crise instalada na vida dos caminhoneiros, como em parte considerável da população brasileira que tem uma atividade precária. A insatisfação é grande e manifestada de diversas formas. O desemprego e o aumento da informalidade são algumas expressões. Viver no Brasil com a eterna esperança a frente frustra e, em determinados momentos, cansa. Para ver e ouvir comentário sobre o tema, clique aqui. A impopularidade de Temer não ajuda, piora. A sua permanência no po…

Tributação injusta

Os tributos no Brasil são elevados? Bom, a resposta é para quem. O país construiu uma diversidade de impostos, mas em sua maioria injustos. Os volumes dos impostos não chegam a ser um problema, mas sobre quem recai é a questão. Vamos levar em consideração os 35 países que compõe a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em sua maioria, países desenvolvidos. A média de tributação em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), nestes países, é de 36%. O Brasil tem uma média de 34%. Se compararmos o Brasil com os demais países da América Latina e, mesmo, com os Estados Unidos, a carga é mais pesada. A média do continente é de 22%. Na terra do “Tio Sam” é de 28%. Porém, os argentinos têm uma carga tributária de 32%. Os portenhos são uma boa medida.
Porém, qual é o problema da tributação? O principal dele é a forma da distribuição do fisco. Ele recai sobre produtos e serviços e pesa de forma diferenciada em quem tem renda diferente. No final, os mais pobres pagam mais…

O Brasil na carroceria de um caminhão

Uma sociedade é marcada pela dependência entre seus indivíduos. Percebemos pouco isto no dia a dia. Ficamos focados nos interesses particulares, os nossos interesses. Mas, quando uma greve como a dos caminhoneiros ocorrer, despertamos para entender a dependência e o quanto somos limitados em nossa via pessoal. Um bom momento para pensarmos além do nosso "umbigo".  Estamos sentindo na pele o quanto o país depende do transporte rodoviário. Cada um de nós, no seu dia a dia, começa a sentir os efeitos da paralisação dos caminhoneiros. Lembrando que o movimento pede a redução de impostos sobre o diesel. Hoje, 48% do preço dos combustíveis representa a carga de impostos.
Na vida social há uma dependência em cadeia, complexa, e que, neste caso, é vital. Por isso, merece respeito. Um tratamento mais adequado. É preciso que se pense no peso dos impostos no país. No caso dos combustíveis, do diesel, o quanto ele impacta sobre a cadeia produtiva do país. Vários estabelecimentos comer…

Diesel em alta e rodovias em baixa

As rodovias brasileiras dominam o transporte dos produtos e de pessoas. As rodovias estão em péssimo estado. Com isso, o custo fica elevado por causa da falta de qualidade e o valor da manutenção dos meios de transporte rodoviários. É preciso mudar. O Brasil em uma dependência perniciosa das rodovias. O que não faz bem a saúde da economia do país. Além de 56% dos produtos serem transportados pelas estradas do país, temos uma malha ferroviária ou hidroviária precária e limitada. No caso da primeira, não foi ampliada significativamente desde os tempos da República Velha (1889 a 1930).
Lembro-me disso porque estamos vivendo a manifestação dos caminhoneiros em todo o país na busca de reduzir o preso do diesel. O combustível está em alta, mas as estradas tem baixa qualidade faz tempo. Coloca em risco quem trafega e prejudica o escoamento da produção e a dinâmica das regiões aonde ela chega, ou não chega.
Construir rodovias encantou o então governador de São Paulo, Washington Luiz, em 19…

Regular abertura de supermercados é retrocesso

Na lógica do mercado, tentar regulá-lo acaba em desastre certo. Quando impedimos que a concorrência gere a necessidade de mudança, aprimoramento, qualificação, estamos comprometendo o futuro. As incertezas do presente é que nos fazem melhor amanhã.
O prefeito de Maringá sancionou a lei que regula a abertura dos supermercados em Maringá aos domingos. Segundo a ela, agora, os estabelecimentos que tiverem mais de cinco funcionários só poderão abrir no primeiro domingo do mês. O horário de funcionamento, aos domingos, será das 8h às 18h. A medida passa a valer em 90 dias. A fiscalização ficará por conta do executivo municipal. Para ouvir e ver comentário sobre o tema, clique aqui. Ao mesmo tempo em que o prefeito de Maringá sanciona, deixa em aberto a possibilidade de voltar atrás se os empresários e funcionários do setor entrarem em acordo através dos seus sindicatos. Também, voltará atrás se houver uma ação judicial exigindo a liberdade de abertura dos supermercados. Além disso, afirma q…

Desqualificação: futuro implacável

Envelhecer, todos vamos. Mas há um tempo entre a juventude e a velhice. Nele, parte considerável dos brasileiros pode cair na desqualificação e ineficiência. Ficar na dependência de outras pessoas. Isto não é bom. É preciso pensar no futuro. Você já deve estar cansado de saber que o futuro virá e ele cobra seu preço. No Brasil, o envelhecimento da população vai exigir um custo elevado para a sociedade e para o Estado. Um grande número de pessoas dependentes do assistencialismo. O principal motivo, a falta de qualificação.
Sempre falamos do risco que os jovens estão correndo por não se qualificarem. Temos um número significativo da população entre 15 e 25 anos sem uma formação profissional, mais de 70%. A grande maioria não terminou o ensino médio. Esta população corre o risco de ficar desempregada quando tiver em 49 a 59 anos. Hoje, 10% da população nesta faixa de idade está desempregada. E se tudo continuar como está, em 2050, segundo dados do IBGE, eles serão mais de 53% dos brasile…

Comportamento irracional ameaça a democracia

Parte considerável dos profissionais não tem a dimensão da responsabilidade que tem sobre o que representam. Em sua vida pessoal, nas redes sociais, em ambientes públicos, as pessoas não estão apenas expressando sua opinião, elas expressam o nível e qualificação que tem na vida profissional que exercem.Vereador e policial militar trocam agressões após uma discussão política. O fato aconteceu durante as comemorações do aniversário de Maringá. No centro da contenda estava uma homenagem do partido Patriotas ao juiz Sérgio Moro. Um totem de Moro serviu como objeto de discórdia. O PM afirmou que era um “espanta petista”. O vereador não gostou. De ironia e sarro a discussão terminou em agressão. O policial Roberto Pessuti e o vereador Mário Verri (PT) foram para os “finalmente”, baixaram o nível de suas funções publicamente.
A democracia se garante com o aparato de segurança e com os representantes públicos agindo de forma elevada. Demonstrando o quanto merecem ou exercem suas funções. Me…

Bom negócio, no Brasil, é “vender” dinheiro

O país vive uma crise, mas não para as instituições financeiras. Elas tem uma lucratividade sustentada no controle do mercado imponto juros elevados mesmo com a taxa selic menor da história, 6,5%. Poucos bancos e muita exploração.
O Brasil já foi o país com a maior taxa de juros do mundo. Mas isto é coisa do passado. Hoje, a taxa Selic é a mais baixa da história, 6,5%. Uma redução, nos últimos dois anos, de 54%. Mas esta queda não chega aos brasileiros. Na prática, os juros no país não caíram mais que 23%. Mas por quê? Boa pergunta.
As explicações são as mais variadas. Se for olhar para a lógica apresentada pelos bancos, o discurso vai desde impostos, inadimplência, encargos administrativos, etc. Porém, o Brasil tem um ambiente financeiro ruim. O número de instituições financeiras diminuiu assustadoramente. Hoje, apenas quatro instituições financeiras dominam mais de 75% do mercado. Nos últimos 10 anos, assistimos ao desaparecimento de muitas instituições bancárias compradas, anexadas…

Somos Afro

Há em nós um encontro de povos, nações, que nos formaram. O Brasil tem sua sociedade do encontro. Muitos deles com tantos desencontros e conflitos. Porém, há de se admitir, somos o maior país afro fora da África. Mais que os europeus, portugueses, colonizadores e além dos indígenas, que povoavam a terra e viram chegar os demais. Somos negros. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 54% dos brasileiros são negros, infelizmente menos de 20% assumem. Entre os mais ricos são 17%. Já, entre os mais pobres eles são 73,2%. Desigualdade desdobrada da escravidão, a qual se encerrou oficialmente em 13 de maio de 1888, ou seja, a 130 anos. Lembrando que o Brasil foi o último país do ocidente a romper com o trabalho compulsório.
A escravidão nos construiu, nos fez. Inna Von Binzer, uma educadora alemã contratada por uma família de um grande produtor de café, ainda na época do Império, relata em sua obra, “Os Meus Romanos”, o dia a dia da vida brasileira com a escr…

Maringá: maravilhosamente humana e imperfeita

Eu amo a cidade onde moro. Gosto de sua história. Ela é diferente. Mas esta Maringá é uma cidade feita de gente. Ela é a massa que alimenta e dá vida ao espaço urbano. Eu não esqueço que no dia do aniversário de Maringá, o que se deve lembrar é da circulação constante, do encontro e desencontro entre os seres que fazem o sentido do lugar, da cidade, que chamamos de lar.
Hoje, dia 10 de maio de 2018, Maringá faz 71 anos. Ela ainda é jovem, apesar de estar em plena terceira idade se fosse um ser humano. Mas ela é humana. Isto não pode ser esquecido jamais. Uma cidade é feita de pessoas. E a maior característica de ser humano é a imperfeição. Aquele toque maravilhoso do encontro entre inúmeros indivíduos em um mesmo espaço é a essência da cidade. Como diz Raquel Rolnik, arquiteta e urbanista brasileira, a cidade é uma “cebola”, com suas camadas, que ao longo do tempo vai deixando suas marcas.

Maringá tem uma paixão pela perfeição. Idolatramos o planejamento, exaltamos o sucesso de nossos…

Horas extras: amor ao trabalho?

O sonho de se transformar em um funcionário público é sonho de muitos. Há preparação para concursos públicos se multiplicam como igrejas. Muitos a procura de salvação. Menos vocação e mais salvação sem esforço.A prefeitura de Maringá vai abrir sindicância para apurar horas extras que já custaram mais de 2 milhões de reais ao município. Em 2017, o excedente de horas custou R$ 20 milhões. 80 servidores serão ouvidos, também diretores. Três secretarias são as que mais apresentaram horas extras, Serviços Públicos, Educação e Esportes.
Para se ter uma ideia do tamanho do arrombo que as horas extras promovem, a média dos 80 servidores que serão investigados é de 100 horas mês. O que representa 20 dias a mais de trabalhado. O principal argumento de quem faz horas extras são dois, substituir quem falta e baixos salários.
O poder público municipal está preocupado com o aumento gradativo do gasto com o funcionalismo, que já atinge metade do orçamento. Com concurso aberto e novas contratações …

Movidos pelo agronegócio: Não é ser “jeca”, nem “caipira”, mas moderno.

Quando se fala de uma região do agronegócio, quase sempre se associa a sociedade ao campo. Moradia rural, pessoas voltadas ao cotidiano da chamada “roça”. A enxada, chapéu e a simplicidade de ser “caipira”, matuto, quase um “jeca”. Se pensa na ignorância em relação aos temas mais complexos da vida política, da cultura e, até mesmo, da economia. A tecnologia seria uma novidade que assusta o simples agricultor ou trabalhador rural. Engano! Esta é uma imagem bucólica, lembrada talvez nas fotos, e muitas, que registram o passado de Maringá e região. Repousando parte delas nos museus, e bons, mais que um, que a cidade tem. Ela preserva sua origem rural. E parte considerável desta memória está, por exemplo, em um museu digital, chamado de Maringá Histórica, um site interativo que preserva as lembranças da origem, também caipira.
Os números talvez falem mais quem somos. O agronegócio é nossa maior força econômica. Nos 29 municípios que compõe A Grande Região de Maringá, na safra 2016/2017, f…

Inteligência é poder

Não se pode negar, a inteligência é uma condição de poder. Dominar o conhecimento que gera a possibilidade de vida, sobrevivência, é um determinante para se impor, garantir a sobrevivência. Isto sempre fez da espécie humana dominante na face da terra. Entre as nações não é diferente. 
O investimento em ciência e tecnologia no Brasil nunca passou por uma situação tão difícil como agora. Dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC) mostram que o corte no investimento em pesquisas foi de 25% entre o ano passado e este ano. Se compararmos os recursos destinados a pesquisa em 2010, a redução chega a 54%. Hoje, o investimento em pesquisa é de R$ 4,7 bilhões.
Mesmo pesquisas consideradas essenciais sofreram cortes significativos. Um dos exemplos é a que estuda o Zika vírus. O empenho de R$ 20 milhões em 2017 teve mais de R$ 6 milhões que não foram pagos. Quem se empenhou e pesquisou não viu a cor do dinheiro. Para este ano a perda na pesquis…

Quem casa quer casa?

Se quem casa quer casa, deveriam se preocupar mais com o casamento. A existência de um lugar para morar não é única condição para não se correr risco com o futuro. Casas ficam em bairros e com o tempo as coisas mudam, para o bem ou para o mal.Maringá tem 6,1 mil famílias a procura de uma casa própria e estão na lista do Plano de Habitação de Interesse Social. O representante do poder executivo municipal, diretor da habitação, Celso Lorin, considera difícil atender todas estas famílias em um tempo curto. Mesmo em médio prazo, vencer o desafio de zerar a fila de espera é impossível.
Para ser ter uma dimensão do problema, tem pessoas que esperam uma “casa própria” desde de 1993. Possivelmente, com o passar do tempo, parte destas pessoas saem da lista por terem falecido, transferindo para seus herdeiros a espera e não uma casa. Quem casa quer casa? Podemos considerar que antes deve-se pensar se a formação de uma família se adéqua a ausência de um lugar próprio para morar. Para ver e ouvi…

O que move e não move as pessoas

Correr riscos faz com que as pessoas busquem proteção. Mas, quanto mais o risco está por perto, mais se busca uma reação de fuga e prevenção. Porém, para os mais imediatistas, remediar quando o problema chega acaba sendo o comportamento mais comum. A questão vital está no quanto o futuro passa pela preocupação das pessoas. Chegou ao fim a campanha de vacinação contra a dengue que não atingiu nem a metade do público alvo. Pessoas na faixa entre 15 a 27 anos. Se esperava 20 mil pessoas, o número dos que foram vacinados foi um pouco acima de 7 mil. Por que isso aconteceu?
Então voltamos a questão, o que leva as pessoas a buscarem a prevenção? O tamanho do temor de se sentirem ameaçadas. Movidas pelo imediatismo, enquanto o problema não estiver próximo, nada se fará. Às vezes, quando se busca uma solução, é tarde demais. O problema já atingiu proporções difíceis de serem contornadas. Para ouvir e ver o comentário sobre o tema, clique aqui. Desta condição, da falta de interesse pela vacina…

Cidade entre o público e o privado

Nada é mais lucrativo do que as contradições que a cidade vive. O mercado envolve a necessidade dos indivíduos. Todos buscam satisfazer seus interesses. Mas há a necessidade social que nem sempre vigora sobre os interesses particulares. No mercado imobiliário a lógica se sustenta. A queima e desabamento em um prédio no centro de São Paulo acaba por denunciar o descaso com o patrimônio público. O edifício que ruiu pertencia a União, teve vistoria feita pelo Corpo de Bombeiros que decretou a inviabilidade do prédio, mas invadido, ocupado por “sem-tetos” impulsionados por Ong, o risco real se transformou em tragédia. Não se sabe ainda o número de mortos, mas há.
Muitos desabrigados. Pessoas sem casa que invadiram o prédio para ter um teto. Impulsionados pelo desejo de uma casa própria. Porém, ninguém quer morar longe da cidade. Todos desejam um cadinho da parte mais acessível ao emprego, as melhores condições de sobrevivência. Não se resolve o desalojado dando a ele uma moradia em áreas …

Trabalho e a crise de identidade

Nascer para trabalhar. A busca por uma identidade na vida já repousou na atividade profissional. Ser o que o labor te faz. “O que faz na vida?”, a pergunta que se respondia com a profissão. Seja ela qual fosse, era a identidade do ser trabalhador. O significado maior do trabalho sempre foi a dignidade associada a sua existência. Crescer, amadurecer, era ter um trabalho. Para alguns, mais velhos de certo, ou conservadores raros, o pedido da mão da moça em casamento para o pai atencioso, quase sempre vinha com a pergunta crucial, na qual se separava a possibilidade do “sim” e da certeza do “não”, “Você trabalha?” ou “Como irá sustentar minha filha?”. Claro, estes são outros tempos. Mas lá, na sociedade patriarcal, marcada pela figura do homem provedor e “autoritário”, muitas vezes, trabalhar libertava e gerava respeito. Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui. Naqueles tempos, não muito distantes, não haveria como pensar no futuro sem trabalho. Romper com a vida de submissão aos …