Bom negócio, no Brasil, é “vender” dinheiro

O país vive uma crise, mas não para as instituições financeiras. Elas tem uma lucratividade sustentada no controle do mercado imponto juros elevados mesmo com a taxa selic menor da história, 6,5%. Poucos bancos e muita exploração.

O Brasil já foi o país com a maior taxa de juros do mundo. Mas isto é coisa do passado. Hoje, a taxa Selic é a mais baixa da história, 6,5%. Uma redução, nos últimos dois anos, de 54%. Mas esta queda não chega aos brasileiros. Na prática, os juros no país não caíram mais que 23%. Mas por quê? Boa pergunta.

As explicações são as mais variadas. Se for olhar para a lógica apresentada pelos bancos, o discurso vai desde impostos, inadimplência, encargos administrativos, etc. Porém, o Brasil tem um ambiente financeiro ruim. O número de instituições financeiras diminuiu assustadoramente. Hoje, apenas quatro instituições financeiras dominam mais de 75% do mercado.  Nos últimos 10 anos, assistimos ao desaparecimento de muitas instituições bancárias compradas, anexadas, pelos quatro grandes (Itaú, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Banco do Brasil).

Desta forma, as taxas de juros parecem tabeladas. Fruto de um acordo velado entre quem monopoliza empréstimos e depósitos. Para ter-se uma ideia, o juro cobrado às famílias, em média, é de 57%. Já, para as empresas, o juro médio é de 21%, Este fato reduz a possibilidade de investimentos, acesso a recursos para o consumo, ou acerto de contas atrasadas. Isto se chama abuso.

Se compararmos o spread bancário dos bancos brasileiros em relação a 186 países, vamos perceber o quanto são lucrativas as instituições financeiras no país. A diferença entre o quanto os bancos remuneram o dinheiro que captam e o quanto cobram para emprestar, no Brasil, é de 38,4%. Em países como o Chile e México a diferença é bem menor, no primeiro caso é de 1,8% e no segundo é de 3,4%. Os dados são do Banco Mundial.
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Falta concorrência no mercado financeiro. Multiplicando instituições financeiras, temos a possibilidade de redução do custo do dinheiro. Dar acesso às pessoas para poderem se recuperar financeiramente com menos sacrifício e ter empresas com mais possibilidade de investimentos. A exploração financeira é imensa, no Brasil.

O país não tem falta de dinheiro para investir, ele está monopolizado pelos bancos. A lucratividade do capital financeiro está na especulação de um mercado carente de recursos em que as fontes de acesso são poucas e regulam a “torneira” para tirar o máximo proveito em juros. Se quisermos fazer uma reforma importante e eficiente para o crescimento do país, ela é esta. Precisamos ampliar o número e ter mais concorrência entre as instituições financeiras.


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