Maringá: maravilhosamente humana e imperfeita

Eu amo a cidade onde moro. Gosto de sua história. Ela é diferente. Mas esta Maringá é uma cidade feita de gente. Ela é a massa que alimenta e dá vida ao espaço urbano. Eu não esqueço que no dia do aniversário de Maringá, o que se deve lembrar é da circulação constante, do encontro e desencontro entre os seres que fazem o sentido do lugar, da cidade, que chamamos de lar.

Hoje, dia 10 de maio de 2018, Maringá faz 71 anos. Ela ainda é jovem, apesar de estar em plena terceira idade se fosse um ser humano. Mas ela é humana. Isto não pode ser esquecido jamais. Uma cidade é feita de pessoas. E a maior característica de ser humano é a imperfeição. Aquele toque maravilhoso do encontro entre inúmeros indivíduos em um mesmo espaço é a essência da cidade. Como diz Raquel Rolnik, arquiteta e urbanista brasileira, a cidade é uma “cebola”, com suas camadas, que ao longo do tempo vai deixando suas marcas.


Maringá tem uma paixão pela perfeição. Idolatramos o planejamento, exaltamos o sucesso de nossos números e valorizamos a execução de algo que nos coloca a frente de grande parte das cidades do Brasil. Para ser sincero, da grande maioria das cidades do país. Segurança, educação, saúde, planejamento urbano, com ressalva de nossa mobilidade, há do que se orgulhar.
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Veja a nossa imperfeição, nossa cidade de quarteirões planejados, de vias largas, se entope de veículos. Acumula acidentes de trânsito. Ela busca se espelhar em atitudes modernas e não conseguiu ainda deixar o carro e assumir o modal coletivo e individual não poluente como principal meio de deslocamento urbano. Mas um dia chegamos lá. A cidade irá descobrir que o transporte coletivo é eficiência e não meio de classificação social.

Nosso orgulhoso desenvolvimento, maravilhosamente garantido em projetos como o Masterplan, do qual tenho admiração, lança o olhar para quando a cidade fizer 100 anos. Porém, Maringá terá que olhar além de suas fronteiras, de seus limites. A cidade é polo de uma região e é responsável, também, por ela. O grande desafio de quem deu certo é servir de liderança para os que se encontram a sua volta e dos quais depende direta ou indiretamente. Não temos como fugir desta responsabilidade.

Um exemplo, é que muitos dos que trabalham não moram aqui. Há os que moram e não trabalham. Cidade é movimento. Esta cidade não é condômino fechado, é lugar de negócios além de moradia. Tem que se preocupar com o lazer e também com o “viver”, fazer a vida. A cidade tem que ficar atenta a quem lhe dá vida. Por isso, Parabéns Maringá! Parabéns as pessoas que como o sangue que circula e pulsa dá vida a cidade, maravilhosa e contraditoriamente humana.


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