Ser único não é ser unânime


A diversidade social é o ambiente necessário para o crescimento da maturidade individual. Vivemos em busca de satisfazer nossos interesses, sem os outros isto não é possível. Convivemos com diferenças. A solidão é a única forma de viver a unanimidade. Em sociedade, somos apenas mais um, por mais que únicos. 
Estamos acompanhando a Copa do Mundo. Ela é o encontro de culturas e valores. Diversidade, diferenças de povos. Não só das crenças, dos alimentos, da vestimenta, mas também da percepção do que pode e não pode. Mas as torcidas as vezes ganham destaque maior que o futebol. A falta de educação e a imposição de um valor sobre o outro aparecem entre os torcedores. A questão de gênero está no centro desta discussão. Seja nos gritos homofóbicos das torcidas, brasileira e mexicana em destaque, ou no tratamento dado as mulheres russas por turistas brasileiros.

Entre os que cometem agressões há policial, advogado e funcionário de empresa aérea. Mas a lista é infinita. Não se iluda com a profissão. A má educação e a contradição entre a função e o caráter são imensas e diversas. Estamos vivendo tempos de intolerância dentro de um ambiente cada vez mais amplo. Os russos, neste caso, não são exceção. Deveríamos respeitar mais as diferenças.

Gostamos de ser diferentes. Como é importante ter uma identidade própria, sua. Saber que convivemos com outras pessoas. Assim nos destacamos na multidão, para o bem ou o mal. Sempre estamos buscando algo que nos faça ser notado. Da mesma forma, ao percebermos as diferenças daqueles que nos cercam, construímos nossa identidade. A ecologia humana é incrível, uma diversidade atraente e que quase sempre despercebida. E por ser pouco notada, as vezes fica ameaçada. Porém, necessária.

Contrário a isso, vivemos o tempo do radicalismo. Talvez seja um reflexo da crise. Ameaçados em nossa segurança. A sobrevivência escassa, pouco dinheiro no bolso, o temor do desemprego, os sentimentos de frustração por não ter todas as necessidades atendidas despertam a intolerância. Neste contexto, a diversidade, a diferença, os outros, tão necessários, se tornam uma ameaça. Quando nos sentimos ameaçados na sobrevivência desejamos eliminar as diferenças, desejamos segurança. Erramos.
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A vida em sociedade é a viver a diversidade. Sabemos o que somos porque existem outros, outras alternativas, nós. Sei definir minhas vontades porque outras pessoas não às tem. Pode parecer extremamente filosófica esta discussão, mas não é. Precisamos da liberdade, da convivência com opostos, discordâncias, para nos educarmos. Também, para crescermos e, até mesmo, confirmarmos se realmente acreditamos nos valores que acreditamos se faz necessário quem não acredite. O que é bom para uns pode não ser para os outros.

Temos muito o que aprender em relação a convivência em sociedade. A intolerância é um mal que está em todos os lugares. Na proporção das migrações, dos encontros entre culturas, pessoas, nações. Há a resistência de compreender que a diferença veio para ficar. Somos apenas uma parte do mosaico humano. Que infinitamente se diversifica e necessariamente nos move para a criatividade e maturidade. Por isso, aceite, você não é o dono da verdade. Tem quem não goste do que você gosta. Existe alternativa a sua vida. Aceite e viva bem com isso.


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