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Tamanho da crise o futebol não anestesia


Durante muito tempo o futebol é visto com uma forma de anestesiar as dores dos brasileiros. Porém, em um ambiente de insatisfação profunda, não tem como anestesiar o sabor amargo da frustração. A nação não está de chuteiras. Ela assiste a Copa do Mundo sem entrar em campo. O sabor de derrota impera fora dele.
O clima não é de copa do mundo. As ruas tem pouco colorido do verde-amarelo. A pátria não colocou as chuteiras. O que para muitos sempre foi o ópio do povo. Haverá a torcida, se espera vencer, mas no campo não na vida. Há outros jogos perdidos nas ruas. Para quem se lembra dos 7 a 1, contra a Alemanha, há um gosto de derrota que se prolonga. Uma nova oportunidade de vitória nos campos não anima.

Podemos começar o desencanto por uma economia que não reage. Condenada a crescimentos pífios, o ambiente de incerteza está nos índices medidos por instituições como a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os dados demonstram que o nível de confiança na economia caiu nos últimos doze meses e não dá sinas de recuperação. A confiança do consumidor atingiu 86,9 em maio, o menor índice desde outubro do ano passado, quando atingiu 85,8. O índice de expectativa com o futuro também sofre baixas constantes, a última, também de maio, foi de 4,8 pontos de queda. Dados também medidos pela FGV.
Para ver o ouvir comentário sobre o tema, clique aqui.
O ambiente político não mostra confiança tanto no presente como no futuro. A impopularidade do presidente, Michel Temer, bate outro recorde, 82%. A maior da república em toda a história. No mesmo sentido, os brasileiros demonstram, segundo pesquisas do Datafolha e Ibope, sobre a intenção de voto, que não sabem em quem apostar suas fichas no futuro. Os indecisos, voto nulo e branco são a maioria.

Podemos colocar mais um ingrediente no ambiente de crise, a greve dos caminhoneiros demonstrou. Ela expressou uma insatisfação que confunde reivindicações e descontentamentos com o governo. De uma redução do diesel à intervenção militar. Duas medidas inócuas, mas carregadas de decepção.

Neste clima a Copa do Mundo de Futebol, na Rússia, começa. Os olhos de boa parte dos brasileiros irão percorrer os jogos, mas sem a esperança da vitória. A seleção pode até chegar à glória de mais um campeonato mundial. Mas, o gosto amargo da derrota ainda está nas ruas. O que já é um sinal de mudança. Dor que não se anestesia se resolve ou é sinal de doença aguda do paciente. Ou o país muda ou a esperança morre. A realidade crua se instala e fica cada vez mais indigesta.


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