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Desilusão apaixonada



O país vive uma insegurança imensa. Entre as incertezas do futuro há um grande número de eleitores indecisos e alguns desiludidos e apaixonados. Dois sentimentos perigosos em tempos de incerteza.
Mas de onde vem à paixão messiânica. Ela é uma construção histórica. Produzida na percepção de que no mundo há senhores, profetas, patriarcas. Nosso passado está carregado de “santos do pau-oco” e falsas promessas. Eles resistem e povoam a vida dos que vivem a espera de um milagre.

Não há milagres. A vida pública, o poder político, a administração do Estado, a liderança, é feita de seres humanos, é coisa dos homens e não da vontade divina. E olha que tem muito profeta com a Bíblia na mão vendendo a falsa salvação. A moralização é quase sempre uma pregação do imoral. É como o temor aos gays, em grande parte sentido e derivado da homossexualidade não assumida ou rejeitada quando alguém próximo se manifesta.

O radicalismo já provou ao longo da história que não traz soluções e sim planta problemas. A sensação falsa de solução rápida tem preço na proporção de sua imposição, o ódio. Eliminar como estratégia, o discurso de exigir e de fazer o que ninguém nunca fez são promessas impossíveis quando o tema é a administração pública.
Para ver e ouvir comentário sobre o tema, clique aqui.
Ironicamente, os que amam estes discursos se aproximam de profetas que independem de serem de direita ou esquerda, tem seus fiéis apaixonados ou desiludidos. A desilusão da decepção com um messias não faz o fiel repensar a sua fé. Ele, muitas vezes, deposita em outro pregador as suas esperanças, suas decepções.

Em meio a tantas incertezas, este é o maior temor. A desilusão que deveria nos servir de lição acaba por alimentar os extremos. Não aprendemos, erramos incessantemente. O meio a nossa volta não ajuda. As poucas discussões racionais sobre o momento que estamos vivendo não contaminam, mas o espetáculo da fé se propaga. Novos messias sempre aparecem.

A ironia é que os discursos dos populistas messiânicos pode ter a lógica da esquerda ou da direita, o que importa é o sentimento de salvação pelo cajado do messias. O discurso do “vem comigo” que resolvo, “sigam-me e não se arrependeram”, se propagam. Mas quando o milagreiro assume o poder e começa sua jornada de terror, é tarde demais. Até mesmo para quem acreditou nele.


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