Filhos: desejados e indesejados

Ter filhos, quantos são planejados? Se fala em gerar e perpetuar a espécie. Porém, são os pais, aqueles que deveriam cuidar, a maior ameaça a vida das crianças. Metade das mulheres que estão gravidas não planejaram sua maternidade, sua gestação. E aí, quem paga a conta? Quem assume o rebento?

Um levantamento da 15ª Regional de Saúde, sediada em Maringá, mostra o crescimento da mortalidade infantil, principalmente antes do primeiro ano de vida. Em comparação com os 12 meses do ano passado, o crescimento já foi de 26% de forma geral e 66% com crianças que tinham seis dias de vida.

O que leva a morte de bebês? É que se despreza a vida antes mesmo que ela seja gerada ou em sua geração. Levantamento do Ministério da Saúde mostra que 49% das gestantes não planejaram ter um filho. O percentual é maior entre adolescentes, 80%. A grande maioria das mulheres que não planejaram sua gravidez está na população de risco ou tem baixa renda, 72%.

Segundo levantamento feito pela 15ª Regional de Saúde, as mortes das crianças de forma prematura está relacionada à falta de cuidados durante a gravidez. Muitas nascem com problemas adquiridos pelo comportamento materno ou falta de prevenção, pré-natal. A natalidade entre a população de baixa renda aponta a relação entre a condição econômica e problemas na primeira infância.
Tem muitas crianças que vivem hoje em um ambiente de risco por não terem sido planejadas, são indesejadas.
Segundo levantamento feito pelo professor e pesquisador, o ginecologista da Unicamp, Luis Guimarães Bahamonde, um terço dos filhos de mulheres que estão em situação de risco nascem prematuros. O mesmo pesquisador aponta que o custo da gravidez indesejada no Brasil é de R$ 4,1 bilhões por ano. Levam-se em consideração todas as despesas de tratamento e o que acarreta ao longo da vida o não planejamento da gestação. O abandono vai além do nascimento.

Na busca de combater a falta de planejamento familiar, o SUS distribui gratuitamente mais de seis tipos de anticonceptivos. Na 15ª Regional de Saúde há programa de conscientização com palestras e orientações para as mulheres. A violência contra a mulher também deve ser contado com fator determinante de uma gravidez não planejada.

Temos que aprender a administrar o corpo. Ter consciência de que a sexualidade responsável não tem que colocar em risco a vida de outros. Se queremos um futuro melhor, ele passa pela capacidade de controle de nossos atos. Em destaque evitar uma gestação e uma natalidade não planejada. Pior que abortar é rejeitar. Pior que se negar a ter é ter e não se responsabilizar. Há uma demagogia no discurso de que devemos preservar a vida, de quem uma gravidez deve sempre ser bem vinda, não é. Tem muitas crianças que vivem hoje em um ambiente de risco por não terem sido planejadas, são indesejadas.
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Muitos dos acidentes com crianças ocorrem dentro do ambiente doméstico por descuido. Em sua maioria são filhos não planejados. Abandonar é uma prática de quem fez sem querer, pariu sem desejar e rejeita ao criar. O resultado de uma vida assim não será bom. Se queremos ter filhos, devemos pensar na complexidade de criá-los, na renúncia no ato de cuidar e se dedicar a educá-los. Na atualidade, o mais sincero para quem não quer se incomodar com o outro, não deseja sair de seus interesses por ninguém, é não ter filhos.

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